A Utópica Imparcialidade

Conceitos humanos são falhos.
Criados pela sociedade como regras invisíveis, muitos dos conceitos humanos contrariam a própria natureza da raça, gerando expectativas inatingíveis de comportamento.

Influência e Imparcialidade certamente estão entre alguns destes conceitos mais superestimados.
Não me entenda mal: ambos são conceitos teóricos excelentes, mas contradizem o ser humano.

Certamente você já viu alguém dizer que fulano é muito influenciável, ou que o próprio interlocutor possui uma mente forte, incapaz de ser influenciada.
Na teoria, isso é muito bonito, mas não funciona.

Existem, é claro, pessoas mais facilmente influenciáveis, que basta ouvir uma opinião e a saem reproduzindo ela como se fosse uma verdade absoluta.
Mas todos nós, em alguma esfera, somos influenciáveis.
Tudo que consumimos, lemos, ouvimos e falamos nos influencia e também influencia aos outros, seja positiva ou negativamente.

A Imparcialidade também possui um viés semelhante.
Todos possuímos nossas preferências, mesmo quando nos julgamos imparciais.
Jornalistas, juízes, advogados, políticos e formadores de opinião
costumam querer projetar esta aura pura e perfeita sobre suas opiniões imparciais, mas a verdade é que todos, em algum nível, são parciais e tendenciosos.
Não seria diferente com os jogos, não é mesmo?

Há de se separar, no entanto, preferência de fanatismo.
Um fanático jamais irá reconhecer que algo de sua marca preferida seja ruim, bem como não conseguirá aceitar que a concorrência tenha um produto melhor.
Isto, sim, deve ser evitado e combatido; a preferência, por outro lado, sempre existirá.

Ok Musashi, muito legal o texto até aqui, mas qual é o fundamento dele?
Bem, de certa forma, este texto é um mea-culpa pela coluna como um todo.
Se você lê nossos textos com frequência, já deve ter notado um padrão de preferência da equipe principal: o PlayStation.

Embora não sejamos um site focado nos consoles da Sony, tendemos a preferir jogar em suas plataformas.
Que fique claro: nem por isto somos cegos com relação ao que sai nas outras empresas.
Enquanto o Pena faz reviews tanto no PS4 quanto no PC, o Shin faz reviews no PS4 e também no Xbox (One) ao qual ele tem acesso.
Eu, por outro lado, possuo os três consoles, ou melhor, consoles das três empresas: embora meus reviews sejam principalmente focados em PS4 e PS5, já fiz também no Xbox One e no Switch, consoles que também possuo.

Porém, como já deixei claro em alguns textos do Filosofando sobre Pixels, minha preferência é por jogos com foco narrativo e, no momento atual, este é o caminho que os exclusivos da Sony tomaram.
Isto não quer dizer que eu vá deixar de jogar os exclusivos das outras plataformas, afinal de contas, eu tenho os consoles justamente pelo interesse dos títulos que lá saem.
Mas os jogos multiplataforma, priorizo no PlayStation (afora um ou outro jogo no Gamepass, claro).

Concluindo: embora tenhamos, sim, uma preferência pela Sony (ao menos atualmente), não deixamos de reconhecer seus defeitos, bem como a qualidade dos concorrentes.
Esta é a diferença entre preferência e fanatismo: devemos sempre buscar a perfeição e o aperfeiçoamento mas, enquanto humanos, somos falhos nestes conceitos.
A Imparcialidade é um conceito muito bonito, mas inatingível em sua totalidade…