Review / Tutorial de A Musical Story

* Esta análise foi feita com o código cedido pela Digerati (versão PS4/PS5)

Distribuidora: Digerati
Produtora: Glee-Cheese Studio
Plataforma:  P4 / PS5 / Xbox One / Xbox Series S / Xbox Series X / Switch / iOS / Android / PC / Linux
Mídia: Digital
Ano de Lançamento: 2022

A Musical Story é um jogo rítmico no qual você acompanha um jovem e brilhante guitarrista, junto de sua banda, em uma jornada rumo ao festival de Pinewood.

PAZ E AMOR

Woodstock Music & Art Fair, mais popularmente conhece como o Festival de Woodstock, foi um evento musical ocorrido em Bethel, Nova Iorque, de 15 a 18 de agosto de 1969. Apesar do nome, o evento foi realizado em uma fazenda de gado leiteiro, a cerca de 70km da cidade de Woodstock.

Woodstock foi um marco cultural na história do rock e na cultura hippie

Com um público estimado em 400 mil pessoas, o evento se tornaria lendário em sua primeira edição, com alguns dos principais nomes da música na época: Richie Havens, Santana, Grateful Dead, Creedence Clearwater Revival, The Who, Jefferson Airplane, Joe Cocker, Janis Joplin e Jimi Hendrix, dentre outros.

Jimi Hendrix, o gênio que revolucionaria a guitarra moderna em Woodstock, 1969

Parte do sucesso de sua primeira edição, que nunca conseguiu ser replicado, deve-se não apenas à qualidade musical das bandas presentes, mas também à forte expressão do movimento hippie no seu auge (o movimento perderia força nos anos 70).

Os turbulentos anos 60 trouxeram a busca pela igualdade de direitos racial e protestos contra a guerra do Vietnã

Adeptos do amor livre, uso de psicotrópicos (e drogas em geral) e práticas orientalistas (adoção do Hinduísmo e Budismo), os hippies foram um movimento de contracultura opositor aos “valores tradicionais” do Ocidente, práticas totalitárias e belicistas.
Surgido (em grande parte) como uma resposta à Guerra do Vietnã, o movimento teria em Woodstock seu momento mais icônico.

Pregando ideais pacifistas, os hippies foram um movimento anárquico, embora não anarquista

UMA BANDA ITINERANTE

Você encarna Gabriel, um jovem operário e guitarrista, que se une a dois amigos para formar uma banda.
Durante o trajeto até o festival de Pinewood, eles conhecem Amelia, que engata um relacionamento com Gabriel.

Uma animada viagem rumo ao festival de Pinewood
Da fábrica para o estrelato: a origem de Gabriel

O uso abusivo de drogas, no entanto, leva à paranoia de Gabriel e sua separação da banda.
Amelia, no entanto, continua ao seu lado e o ajuda na recuperação, através do amor e da música.
Infelizmente, um acidente acontece e Gabriel entra em coma (e isso não é spoiler, vide trailer).

Seria Lennon a inspiração para o tecladista?
Mitchell o baterista?
Janis Joplis seria Amelia? Especulações, especulações… ok, aqui eu forcei um pouco

Gabriel possui um visual claramente inspirado em Jimi Hendrix; os outros personagens, no entanto, possuem inspirações menos claras em músicos da época.
Aqui vai o meu lado especulativo, sendo que Amelia lembra um pouco Janis Joplin, o tecladista lembra o estilo da fase hippie de John Lennon e o baterista assemelha-se um pouco a Mitch Mitchell (o baterista da banda The Jimi Hendrix Experience e que também tocou com Jimi em Woodstock, pela Gypsy Sun and Rainbows).

QUANDO A MÚSICA FALA

A Musical Story não possui diálogos… e não há nenhuma necessidade disso.
Contada exclusivamente através da música, a trama do título é composta por 25 capítulos, mais um capítulo extra, caso você consiga completar todos os capítulos sem cometer erros.

Pega leve aí, Gabriel!

A jogabilidade, é simples e intuitiva: com os dois “botões de ombro” (R1 e L1 no PlayStation) você executa as notas musicais, podendo combinar ambos os botões quando pedido.
Além disto, notas com um círculo extra pedem que o botão seja mantido pressionado até que o ícone trema.

Um cor significa um dos lados, ambas a combinação de R1 e L1

As notas seguem um círculo, como um formato de disco.
Antes de jogar uma sessão da música, cada nota é tocada na ordem, cabendo ao jogador reconhecer o tempo de cada nota, entendendo o ritmo.

Uma noite difícil e a briga na banda
A estrela no canto superior representa a música executada sem erros

As músicas, no entanto, possuem diversos instrumentos, como violão, guitarra, bateria, teclado, baixo, voz e escaleta (a famosa flauta-teclado).
Note que cada sessão possui seu ritmo, uma vez que a percussão, por exemplo, segue uma ordem diferente dos instrumentos de corda, o que pode confundir o jogador numa primeira tentativa.

A não interrupção da música da bom ritmo ao jogo
Isto é uma escaleta

Caso você erre, no entanto, o jogo não acaba.
O ciclo é finalizado com o erro e reiniciado, até que você acerte, perdendo a estrela que determina o acerto consecutivo.

PSICODELIA

Um dos destaques do título fica por conta da arte, usando um estilo semelhante ao “giz de cera” para representar as cenas, com um movimento fluído e super colorido, englobando os aspectos psicodélicos da música e cultura dos anos 60/70.

Entende agora o que eu quero dizer com psicodelia?

As alucinações de Gabriel durante o uso de drogas possuem um traço diferente, com os corvos que ele enxerga (e eram o símbolo da marca de feijões que ele enlatava) mais definidos, com contorno firme e pintura sólida, contrastando com a “realidade flutuante” do giz de cera.

Os corvos povoam as alucinações de Gabriel
Amelia assiste preocupada a briga entre os amigos

A música, obviamente, também é um dos destaques, com um trilha sonora própria, composta e tocada por Charles Bardin e Valentin Ducloux, contando com 26 temas.
Utilizando composições com foco em violão, guitarra, baixo, teclado e percussão/bateria (mesmo que apenas as baquetas em muitos momentos), as inspirações mais fortes parecem ser na música do próprio Jimi Hendrix, Pink Floyd e Led Zeppelin, incluindo vocais de Priscilla Cucciniello (que interpreta Amelia).

A música é a alma do jogo e não poderia ser diferente em sua execução orgânica e limpa, mesclando-se perfeitamente à trama.

GUITARRA PLATINADA

A platina de AMS é, TEORICAMENTE, fácil, uma vez que apenas consiste em tocar todas as músicas do jogo, sendo um troféu por capítulo/música.
No entanto, o fato de precisar tocar PERFEITAMENTE cada música traz a dificuldade, pois a complexidade e duração dos sons vai aumentando com o avanço dos capítulos.

RESUMO DA ÓPERA-ROCK:
Direto ao ponto, A Musical Story é uma obra-prima em termos de jogo rítmico!

A trama, contada completamente sem falas, é belamente ilustrada pelo gráfico psicodélico em “giz de cera”, mostrando o destino de Gabriel e sua banda, repleto de momentos de alegria, tensão, amor e drama.

O fim de tudo ou apenas um recomeço?

Os personagens exalam carisma em suas representações, com estilo único e detalhado, complementados por uma trilha sonora primorosa, remetendo fortemente ao estilo “hippie Woodstock” e ao som do rock experimental e lisérgico dos anos 70.

Uma ópera-rock brilhantemente executada, A Musical Story lembra a ideia de Gitaroo Man (PS2), passando-se inteiramente focado nas músicas, com desafio consistente e um clima leve (em termos de dificuldade, o jogo em si aborda assuntos pesados).