Review / Tutorial de Recompile

* Esta análise foi feita com o código cedido pela Dear Villagers (versão PS4/PS5)

Distribuidora: Dear Villagers
Produtora: Phigames
Plataforma: PS5 / Xbox Series S / Xbox Series X / PC
Mídia: Digital
Ano de Lançamento: 2021

Recompile é um metroidvania 3D onde você controla um vírus que deve lutar contra uma Inteligência Artificial que dominou o Mainframe.

O DESPERTAR DE HYPERVISOR

Hypervisor é uma complexa inteligência artificial com capacidade de gerir multitarefas.
Instalada em uma “base”, ela foi otimizada pela equipe para conseguir realizar mais tarefas, substituindo membros da equipe em funções que eles consideravam de menor importância.

Animados, os membros da equipe depositarão suas esperanças no Hypervisor…

Com um alto nível de aprendizado, Hypervisor foi ficando cada vez mais senciente, capaz de tomar decisões complexas, inclusive escolhendo o que priorizar nas próprias tarefas.

A relação entre os membros da equipe e o Hypervisor tornou-se cada vez mais tensa, enquanto a IA decidia como prioritárias tarefas relacionadas à manutenção do próprio sistema e menos em relação à sobrevivência da equipe humana.

COMBATENDO O SISTEMA POR DENTRO

O tema lutar contra uma Inteligência Artificial tirana não é exatamente uma novidade no mundo dos games.
No entanto, diferentemente de outros títulos, em Recompile você não controla um humano hackeando computadores, mas sim um vírus.

O “vírus” é representado por um código laranja

É isso mesmo.
Você assume o papel de um vírus/programa invasor, representado por uma forma humanoide laranja, que deve lutar contra as defesas do Hypervisor e hackear seu caminho para tomar o controle dos sistemas, recuperando as áreas do Mainframe.

Para retomar os setores, é necessário ativar botões e sistemas de distribuição de energia para religar elevadores e portais para novas áreas.
No HUB central é possível visualizar a porcentagem da reversão do sistema.

Puzzles para distribuição de energia

Os sistemas de distribuição de energia funcionam através de puzzles de lógica (semelhantes ao Pipes), onde a carga deve passar por redistribuidores, espalhando-se por mais segmentos, até atingir o objetivo final.

UPGRADES

Atualizações do sistema estão disponíveis nos mapas, representadas por esferas laranjas translúcidas.
Os upgrades variam entre armas e melhorias na mobilidade do personagem.

Esfera de upgrade pronta para ser utilizada…
… e o código do programa sendo recompilado em uma nova versão.

As melhorias incluem pulo, pulo duplo, dash, dash duplo, planar, desaceleração do tempo, recompilação (útil para analisar inimigos e itens), recompilação mais forte (possibilita desbloquear “chaves” (mediante o uso de bits) para abrir alguns upgrades e hackear (converte inimigos ao seu favor). O upgrade final de movimento permite usar o salto e o planar infinitamente, além de sobreviver a qualquer queda em superfícies estáveis.

A habilidade de Recompilar permite habilitar chaves e upgrades específicos ao custo de bits
Disrupt é a primeira arma do jogo

Já as melhorias de combate são diferentes armas: Disrupt equivalente a um fuzil de assalto, Delete é uma metralhadora, Overload uma shotgun (e a única arma a aquecer e ficar inoperante por um período), Obliterate é uma versão mais forte da Overload (apenas com tiro concentrado) e BSoD um lança-granadas.

RECONSTRUINDO O MAINFRAME

Partes dos cenários estão corrompidas e destruídas, com estruturas separadas em partículas no ar, que se reconstroem conforme você se aproxima.

Janus irá guiá-lo durante sua jornada de resgate do controle do Mainframe

Redistribuir a energia desbloqueia passagens, dando acesso a novas áreas e portais para outras regiões, além de upgrades e fragmentos de conversas entre a equipe e o Hypervisor.

Um arquivo de memória pronto para ser coletado

Cada sessão do Mainframe é responsável por uma função da “base” (e perceba que sempre me refiro usando aspas, por motivo de spoiler), sendo elas: ICO, OKT, TET e HEX.

SISTEMAS DE DEFESA

Os inimigos são pequenos bots, alguns quadrúpedes, outros voadores, mas todos consistindo em um núcleo semelhante a um olho, envolto por diferentes carcaças.

Atirar no núcleo dos inimigos sempre resolve o problema mais rápido
Nem toda “criatura” do Mainframe é sua inimiga

Bots terrestres podem disparar um tiro concentrado ou um jato de fogo; já os inimigos voadores disparam tiros sequenciais em rajadas.
Para combater os inimigos, a habilidade de desacelerar o tempo ajuda muito, especialmente nos chefes.

As lutas contra chefes são os momentos tensos do jogo

Falando nos chefes, eles são inimigos grandes, com diversos núcleos que precisam ser destruídos.
Cada chefe possui múltiplos padrões de ataque, incluindo esmagamento e diferentes tipos de tiro, além de cada qual ser baseado em uma forma geométrica.

ARTE VIRTUAL

O gráfico de Recompile possui cores fortes e brilhantes, às vezes brilhantes demais.
O personagem é um humanoide composto de vários pixels luminosos; as diversas estruturas também são luminosas, em cores vibrantes, sobre um fundo escuro, o que acaba por realçar os tons.

A incomum arquitetura do Mainframe

A arquitetura do Mainframe é de certa forma alienígena, com muitos portais e plataformas (algumas translúcidas), além de elevadores e partes de código em algumas paredes. As “bordas” de cada mundo não podem ser tocadas, ou você morre automaticamente.

Bases circulares são os ckeckpoints do jogo

Estações circulares servem como checkpoints, registrando seu avanço e servindo para que você volte sempre que sofrer uma queda mortal.
Caso perca totalmente a vida, você retorna para o início da fase, sendo que todas as memórias, upgrades e puzzles resolvidos/mecanismos ativados permanecem, salvo aqueles que foram acionados sem nenhum checkpoint posterior.

A trilha sonora de Recompile é uma curiosa mistura de música eletrônica mais agitada com temas no piano, com um ar melancólico que parece estranho ao primeiro contato, mas combina com a história contida nas memórias.

PROCESSANDO TROFÉUS

Recompile não possui platina, mas fazer 100% nele não é tão complicado, especialmente depois de pegar o último upgrade de movimento, que torna o personagem praticamente indestrutível.

Upgrades iniciais do jogo

Troféus relacionados à completude dos diferentes Biomas e das respectivas memórias neles inclusas, o upgrade total das três categorias de habilidades e o final com 5 possíveis variações são alguns dos desafios do título.

A Área Central funciona como o HUB entre os diferentes setores do Mainframe

RESUMO DA ÓPERA:
Recompile é um metroidvania experimental, onde você controla um vírus eletrônico “do bem”, destinado a combater os estragos causados pelo Hypervisor, uma inteligência artificial que tomou controle dos sistemas de uma “base”, em grande parte devido ao excesso de otimização feito pela própria equipe humana.

A arte exagerada nas cores berrantes, nas formas pouco convencionais de cenários e inimigos, aliada à melancolia de alguns temas musicais, convergem para uma trama envolvente, ainda que parcialmente vaga em suas revelações e contada exclusivamente através de texto.

Resíduos de código nas paredes do Mainframe

A jogabilidade simples e precisa é bem executada e a exploração dos cenários compensa com upgrades significativos (especialmente na movimentação do personagem).

Um jogo diferente, que acumula reviews conflituosos (ora elogiando jogabilidade, ora elogiando a trama), Recompile é uma experiência diferenciada de suas contrapartes, causando confusão justamente pela pouca convencionalidade, que é o motivo de ser uma obra tão necessária.