Campo de Spoilers: Ação e Reação em The Last Of Us

Para iniciar esta nova sessão, onde comentaremos spoilers de jogos (o que evitamos nos reviews), eu gostaria de começar falando sobre a franquia The Last Of Us.

TLOU2 causou polêmica e divisão entre os jogadores, por conta de sua narrativa, em especial sobre um ponto: a morte de Joel.
De fato, um momento inesperado e chocante, ainda nas primeiras horas de TLOU2 vemos Joel ser atacado e morto (após tortura).

Tal acontecimento leva à busca por vingança de Ellie, e também nos revela outra busca por vingança de outra personagem: Abby.

Novata na franquia, Abby nos parece a princípio como a vilã do jogo e, até certo ponto, pode-se dizer que ela é mesmo.
Porém, conforme entendemos sua motivação, passamos a compreender melhor a personagem e até simpatizarmos com a mesma.
Aqui há um importante ponto de ruptura para a fanbase; a morte de Joel é, de fato, impactante, e uma parcela dos fãs não conseguiram superá-la.

Tanto não conseguiram, que passaram a detestar o jogo por isso e, também, Abby. E Ellie.

A questão de Ellie é um tanto mais complexa, pois ela afasta Joel, por conta de sua decisão em salvá-la no fim do primeiro jogo.
Após a morte dele, Ellie entra em uma busca desenfreada por vingança.
Sua vingança, no entanto, difere de Abby, sendo mais mesquinha.

Enquanto Abby procura matar o homem que executou seu pai, Jerry Anderson, o médico que faria a cirurgia em Ellie no final do primeiro título, Ellie busca redenção pelo seu remorso.
Ela acredita que, matando Abby e os outros “Lobos”, conseguirá superar a morte de Joel.

O que Ellie não consegue enxergar é que sua busca, mais do que a suposta justiça pela “Lei de Talião”, é uma justificativa para a morte que, ela supõe, seja sua culpa.
Ao destratar Joel por ter decidido salvá-la, em detrimento da “descoberta da cura” para a humanidade, Ellie considera-se moralmente superior a Joel.

Joel, de fato, não é a melhor das pessoas, embora sua motivação seja genuína.
A questão é: ainda existe salvação para a humanidade?
A sociedade pós-apocalíptica de The Last Of Us é uma sociedade imoral, quase amoral.
Não há espaço para mocinhos.

No entanto, ao assumir-se culpada pela morte de Joel, transferindo o peso de seu comportamento para o fim da vida de seu “pai adotivo”, Ellie acaba trilhando um caminho semelhante ao de Joel.

Enquanto Abby encontra redenção em Lev, Ellie torna-se cada vez mais violenta e obcecada, traindo seus próprios princípios morais e tornando-se quem Joel era no passado.
Joel que, no entanto, começa TLOU 2 como alguém mais brando nas atitudes.
Tão brando que ele “amolece”, sendo pego na emboscada de Abby.

Após o tiro na perna, ao ser colocado contra a parede, Joel resgata sua natureza agressiva, ao confrontar seus algozes.
Esse comportamento mais feroz e brutal acaba por dominar Ellie em sua busca, assim como Tommy, que acaba marcado, tanto física quanto mentalmente.
O mundo de The Last Of Us não perdoa e apenas aqueles que abandonam seus valores nobres sobrevivem a ele.