Como A Pandemia Afetará A Produção Artística?

A Covid-19 pegou todos de surpresa no mundo, começando por Wuhan, no final de 2019.
O alto nível de contaminação e a “baixa” mortalidade fizeram o vírus responsável pela doença espalhar-se rapidamente pelo mundo.
Um vírus com alta taxa de mortalidade, como o Ebola, por exemplo, impossibilita a rápida expansão do mesmo, pois os hospedeiros morrem rapidamente e não passam adiante com tanta eficácia quanto vírus de baixa mortalidade e alto contágio.

O isolamento social passou a ser uma importante ferramenta para conter a disseminação da doença.
Porém, embora necessária, a medida afetou mercados e relações comerciais.

Não foi diferente com a produção artística.
Shows e turnês musicais foram adiados e/ou cancelados, produções de filmes e séries interrompidas.

O mercado de games também sofreu seu baque na produção, em especial dos novos consoles, que até hoje possuem baixos estoques, incapazes de suprir toda a demanda de compradores.

A venda de jogos, no entanto, viu um de seus melhores momentos, com uma procura muito maior por títulos na distribuição digital e jogadores com “mais tempo” para gastar em seu hobby preferido.

Conforme avançávamos por mais e mais meses de uma pandemia que muitos esperavam durar pouco tempo, o home office tornou-se uma realidade para milhares de pessoas ao redor do mundo (não é o caso do autor que vos fala, pois trabalho em um hospital e estou jogando Plague Inc. na vida real, todos os dias).

Diferente de outras produções artísticas, os jogos adaptaram-se bem ao formato home office, com produções (especialmente indies) a todo vapor.

Entretanto, analisando os títulos que jogamos ou mesmo filmes, séries e livros que consumimos, o tema pós-apocalipse/infecção zumbi/pandemia é bastante comum.

The Last Of Us aborda uma variante da “raiva” transmitida por um fungo da família Cordyceps que afeta humanos.
The Division vale-se do argumento de um vírus modificado, utilizado como arma biológica, durante o evento de Black Friday nos EUA.
Death Stranding lida com uma “dimensão espiritual” interseccionada com a nossa, onde os sobreviventes moram em bunkers, isolados do mundo real.

A catástrofe coletiva e o fim da humanidade sempre foram assuntos que permearam inúmeras obras da ficção, mas hoje nos vemos em uma realidade assustadoramente semelhante.
Quando a pandemia passar, como este assunto será abordado?
Precisaremos de um tempo para digerir e tornar Covid-19 apenas um fato histórico ou jamais veremos o pós-apocalipse com os mesmos olhos?