Review TBT: Drakengard 3

NOTA DO EDITOR-CHEFE

Olá pessoal, aqui é o Shin Reviews trazendo um review diferenciado do nosso antigo editor Hawk_666
Como todos sabem, Hawk escreveu no site no início de vida dele. Outros projetos que ele empenhou, fez com que ele precisasse se afastar da equipe, porém, com a devida autorização do Hawk, resolvi trazer alguns reviews que ele fez tempos atrás em outro fórum de RPG, chamado JRPG Heroes.

Note que o título não estará como Review / Tutorial por não ensinar o sistema, mas sim analisar de forma resumida e objetiva os jogos com a forma que o autor fez…

Com isso, criei uma categoria Review TBT, onde esses reviews do Hawk irão aparecer toda quinta feira no site ENQUANTO TIVER REVIEW DELE PRA POSTAR (lol), apenas num formato que relembre os jogos que ele analisou, fugindo um pouco do aspecto de ensinar como fazemos…

Espero que gostem de lerem e relembrar jogos antigos na visão do Hawk… 
OBS: algumas adaptações das imagens foram feitas por mim comparado com o review original para maior aprofundamento de leitura do textopossuindo imagens divulgadas por imprensa ou comunidade

5, 4, 3, 2, 1… 0

Drakengard 3 (Drag-on Dragoon 3 no Japão) é o mais recente título dos ex-membros da Cavia, agora na Access Games, para Playstation 3.

Nome: Drakengard 3
Gênero: Action RPG
Produtora: Access Games
Plataforma(s): Playstation 3
Versão analisada: Japonesa

O dragão chupando manga

D3, para os padrões dos últimos jogos lançados para Playstation 3 (na época), é um título bem defasado graficamente, sendo comparável a jogos de Playstation 2 em diversos momentos.
O jogo sofre também com longos loadings, péssimo controle de câmera, muito screen tearing, problemas graves de colisão e quedas bruscas de framerate. A parte artística também não é das melhores, com cenários genéricos e a maioria dos inimigos pouco inspirados, salvando apenas os personagens envolvidos na trama.

Por outro lado, a movimentação dos personagens e inimigos se mostra bem natural e as cutscenes são bem detalhadas (destaque para as expressões faciais). Há uma (apenas uma, infelizmente) CG que não deve em nada para as tradicionais cenas da Square-Enix, e a protagonista tem uma curiosa característica: ela fica suja de sangue durante as batalhas, seja com o dela ou com dos oponentes.

A trilha sonora do game é de alto nível, indo desde orquestradas épicas a acústicas melancólicas, todas casando bem com as situações apresentadas.

Outro aspecto interessante do jogo em relação ao som é quando Zero e/ou suas irmãs ativam o modo “Usuária de Canto”, e as músicas ficam cantadas enquanto ele dura, deixando o momento ainda mais intenso.

“Zero, o que é uma ‘Ninfomaníaca’?”

D3 conta a história de Zero, uma “Usuária do Canto” que tem como objetivo matar todas as suas cinco irmãs, contando pra isso com a ajuda de seu dragão Mihael.

A atmosfera do jogo é algo exótico e muito bem trabalhado. Todos os personagens são únicos e muito fora dos padrões até de jogos ocidentais, sendo então, facilmente memoráveis. O título também trata explicitamente de temas sexuais e diálogos de baixo calão, um ponto muito pouco visto em videogames.

Outro ponto interessante são os diálogos entre Zero e o jovem Mihael. O dragão, por ter a idade mental de uma criança, apenas contribui para que as conversas entre ele e a protagonista sejam impagáveis, resultando em ótimas piadas.

Infelizmente, essa qualidade não pode ser vista quando se trata da história e sua narrativa. D3 tenta passar ao jogador todo o seu drama, a sua melancolia, seu clima desolador e sua loucura através de cenas violentas e emocionantes, mas o fato é que não é apresentado um background detalhado e profundo o suficiente para que isso tenha o peso necessário. Como resultado, o que era pra ser sério acaba sendo engraçado, e tudo fica parecendo um dramalhão de novela mexicana que não toca ninguém e não faz sentido algum.
Em casos extremos, algumas explicações simplesmente não batem com o que foi mostrado, deixando as coisas ainda mais confusas.

Call of Dragoon

A série Drakengard nunca foi a melhor referência para exploração e liberdade, mas eles existiam, com seus vastos terrenos, hordas de inimigos e tesouros escondidos. Em D3, entretanto, isso foi deixado de lado para dar lugar ao modelo “Call of Duty” de ser.

O jogo é, basicamente, uma sequência de missões. Cada missão é dividida por várias salinhas pequenas interligadas, onde é preciso enfrentar grupos pequenos de inimigos para prosseguir. Por seguir sempre esse padrão “corredor”, o jogo fica extremamente repetitivo, e o reaproveitamento de alguns mapas só ajuda a piorar a situação.
Há missões onde o mapa é só uma ou duas salinhas, outras que são literalmente um corredor pra percorrer, mas o jogo não deixa o jogador na mão, pois coloca sempre uma seta branca enorme pra indicar qual direção deve ser percorrida.

Os inimigos também não ajudam, com IA nula, pouquíssima variedade e forte reciclagem. São poucos os oponentes que necessitam de outra arma além da tradicional espada, ou precisam de uma forma específica de matar. Todo o resto pode ser eliminado fazendo combos intermináveis e esquivando vez ou outra.

Diferente do Hack’n’slash “Dinasty Warriors” dos anteriores, D3 é mais voltado para um RPG de ação, com todos os comandos básicos que o estilo possui: ataques normais, especiais, pulo, defesa, esquiva, um modo “berserk” (o modo “Usuária do Canto”) temporário e itens.

Além disso, Zero conta com quatro categorias de armas bem distintas umas das outras, que podem até ser emendadas num combo só para que o ataque seja mais devastador. Acontece que o sistema de batalhas dificilmente é aproveitado ao máximo no jogo, pois o desafio apresentado é muito baixo. Ao avançar, os inimigos aparecem mais rápidos, mais fortes e em combinações mais inteligentes, mas por terem sempre os mesmos padrões, acaba dando na mesma, necessitando quase sempre de um simples esmagamento de botões. Pode-se dizer que a câmera é a maior inimiga do jogador, pois ela tem o dom de atrapalhar em todos os momentos, e o deficiente sistema de trava de mira, aliado à constante chuva de sangue na tela, só ajudam a confirmar esse fato.

As armas do jogo estão em grande quantidade: são espadas, lanças, chakrams e luvas, cada categoria com um bom acervo, variando a velocidade, dano causado, tipo de especial e combo, além de contarem com um sistema de upgrades. Junto a eles, os loots (itens derrubados pelos inimigos e objetos do cenário) também estão em grande quantidade, com os mais variados nomes e valores. É uma pena que todo esse empenho em colocar nomes nos itens seja tão inútil, pois eles só servem para ganhar dinheiro. O que de fato é útil e tem a ver com a evolução das armas são algumas cartas especiais, que são encontrados em baús ou após terminar as missões.

Certamente, o ponto forte da série sempre foi o dragão (não é a toa o nome “Drag-on Dragoon”); montar no lendário animal quando quiser e encarar várias fases ao maior estilo Panzer Dragon eram a grande sacada dos jogos anteriores e a razão de tanta gente gostar, apesar de seus defeitos. Infelizmente, esse aspecto também foi deixado de lado em D3.
São poucas as missões onde Mihael pode ser evocado, e ainda é apenas como um mero ataque especial que não pode ser controlado, não como montaria. As batalhas contra chefões são quase sempre com ele, mas são também pouco inspirados, fáceis e em salinhas minúsculas, fazendo com que os confrontos não sejam muito diferentes caso Zero, fosse utilizada no lugar. As genuínas missões “Panzer Dragon”, seja de vôo livre ou on-rails, podem ser contadas nos dedos de uma mão, e para piorar, conseguem ser mais curtas e fáceis que as missões terrestres.

Outro ponto “interessante” são os NPCs aliados, pois são nada menos que inúteis. Completamente inúteis. Eles ficam literalmente parados na frente dos inimigos, atacam quando dá na telha e o dano é quase nulo. Ao menos o jogador não precisa ficar de babá deles, pois são imortais. Tão inútil quanto, é a exploração dos corredores proporcionados pelos baús. São sempre três por missão, todos tão bem escondidos quanto Wally em uma quitinete vazia, chegado ao ápice do level design em missões onde os três baús estão enfileirados um do lado do outro em uma única sala (e não são poucas assim, diga-se de passagem)

D3, de fachada, possui 4 finais diferentes. Porém, são todos tão incompletos e/ou rasos, e o jogo segue de forma tão linear, que o único que pode ser considerado de fato uma conclusão é o último deles. Mas não basta simplesmente ir lá e terminar o jogo, pois é preciso antes juntar todas as dezenas de armas disponíveis, tanto para comprar, como em recompensas de baús e sidequests.
Para completar essa quebra de ritmo, o último desafio nada mais é do que um jogo rítmico, no pior estilo Guitar Hero. Uma clara homenagem ao chefão do primeiro Drakengard, o desafio consiste em apertar o botão na hora que uma faixa passa pelo ponto certo. Seria interessante se tudo funcionasse, mas infelizmente não é isso que acontece. A música e os momentos de apertar o botão não possuem um padrão rítmico adequado, e muitas vezes ficam completamente fora de sincronia, fazendo com que o ato de se guiar pelo som seja impossível. A câmera também não ajuda, mudando a perspectiva propositalmente para dificultar, fazendo com que o ato de se guiar pela visão também seja impossível. Resta apenas o velho método da tentativa e erro para simplesmente decorar o desafio inteiro, que dura um pouco menos de dez minutos e possui várias ceninhas que não podem ser puladas. Os jogadores têm, a cada erro cometido, o maravilhoso loading demorado e a cena inicial (também impulável) para assistir, tornado a experiência final extremamente prazerosa (só que não).

Pura masturbação

D3 dura cerca de 25 horas para se alcançar o último desafio…e pelo menos mais 5 horas para terminá-lo. Só de terminar o título, o jogador já adquire quase todos os troféus da lista, portanto, contar com o sistema como extra não é uma boa idéia.

Além das missões principais, Zero também conta com as opcionais, que são basicamente pequenos desafios de coletar itens, abrir baús, bater em inimigos que derrubam dinheiro ou um modo sobrevivência, com várias hordas de inimigos. Cada um desses desafios possui níveis de dificuldade, onde os mais extremos têm tempo cronometrado, quantidade insana de inimigos poderosos e combinações mortais. Apesar de serem igualmente repetitivos e reciclarem mais uma vez os cenários das missões principais, esses desafios mais avançados são certamente o ponto forte do jogo em questão de dificuldade, pois são apenas neles que todas as mecânicas são postas em prática e o potencial de todas as categorias de armas são explorados. Infelizmente, são poucos os desafios assim.

Drakengard 3 é facilmente um dos piores jogos do gênero para a geração retrasada. Repetitivo, fácil, história ruim, feio, completamente descaracterizado em relação à série e um dos piores last boss de todos os tempos. Possui um bom OST, umas boas linhas de diálogos e alguns bons desafios extras, mas nada que justifique a compra.