Review / Tutorial de Heal Console Edition

* Esta análise foi feita com o código cedido pela Ratalaika (versão PS4/PS5)

Distribuidora: Ratalaika Games
Produtora: Jesse Makkonen
Plataforma:  PS4 / PS5 / Xbox One / Xbox Series S / Xbox Series X / Switch
Mídia: Digital
Ano de Lançamento: 2021

Heal Console Edition é um puzzle point and click/jogo narrativo de Jesse Makkonen, o criador da série Distraint, já resenhada aqui no site (D1 e D2).

A narrativa do jogo é bastante subjetiva, então vou falar um pouco da minha experiência e de como interpretei os acontecimentos, embora haja muito espaço para diferentes teorias sobre a trama em geral e até mesmo sobre o significado dos puzzles.

Perdido entre memória e realidade, o protagonista tenta desvendar mistérios para progredir

Você controla um senhor de bengala, que precisa resolver uma série de desafios (os puzzles propriamente ditos) enquanto tenta resgatar suas memórias.
A princípio, não fica exatamente claro que se ele sofre de alguma demência ou simplesmente senilidade.

Trechos do tema são executados ente capítulos

Os puzzles vão direto ao ponto, possuindo grande variedade nos sete capítulos do jogo; para abrir a porta ou passagem para o próximo estágio, é necessário resolver uma série de puzzles que soltam travas ou acionam os mecanismos necessários para progredir.

Guiar linhas em poucos movimentos me consumiu um bom tempo

dicas no cenário com a solução (ou parte dela) de alguns puzzles.
Você pode acabar ignorando algumas acidentalmente, como eu fiz, quebrando a cabeça em um desafio, até descobrir que ir para a esquerda a partir do ponto inicial da fase teria me dado uma preciosa dica.

O clássico puzzle de rotacionar discos

Montar mosaicos girando peças quadradas ou arcos em imagens arredondadas, encontrar códigos numéricos para um velho telefone de disco, decifrar padrões de imagem em sequência ou mesmo traçar linhas atingindo o máximo número de alvos são alguns dos exemplos de puzzles mais “padronizados”.

Programar movimentos para a pequena esfera me atormentou por bons minutos…

Há também puzzles envolvendo tempo e sincronização de movimentos, como calcular previamente o caminho de uma esfera, programando um número para cada direção ou alinhar círculos móveis dentro de um padrão. Aqui o timing correto se faz necessário (bem como um pouco de paciência).
Estes desafios dão variedade ao título e ajudam a quebrar o ritmo exclusivo dos puzzles mais cerebrais.

Espiar por frestas em paredes e portas sempre gera um certo suspense

Conforme avança pelas várias salas sombrias decifrando enigmas que não parecem ter propósito direto, vai ficando mais evidente que a mente fragmentada do personagem está relativizando acontecimentos e memórias, tentando resolver obstáculos que ele mesmo se impôs (como disse no início, aqui uso de minha interpretação).

Um dos cenários mais belos do jogo, este parque possui quatro climas diferentes (que você alterna com paineis)

Os belos gráficos de HCE possuem um estilo de arte mais retrô, com um certo ar de nostalgia que cabe bem ao personagem e adiciona um quê de mistério e suspense.
A trilha sonora contribui bastante para isto, sempre causando a sensação de que algo surgirá das sombras que delimitam os cenários.
O tema do piano que você toca entre alguns capítulos possui ligação com a trama, então não entrarei em mais detalhes.


A platina é relativamente simples, consistindo em zerar o jogo e interagir de diferente maneira com alguns puzzles, incluindo utilizar algo que é revelado no final do jogo.
Zerar o jogo, no entanto, não é tarefa tão simples; embora curto, os puzzles são bastante desafiadores e requerem um pensamento lógico que pode confundir a cabeça e fazê-lo dar voltas desnecessárias procurando complexas soluções, quando o caminho mais simples pode ser a melhor opção.

RESUMO DA ÓPERA:
Heal Console Edition é um interessante experimento de Jesse Makkonen, envolvendo um roteiro bastante minimalista e vastamente aberto a interpretações.
O desafio dos puzzles mantém o interesse do jogador, dando pequenas dicas que podem ajudar em alguns casos (hey, nada de olhar a solução na internet!).
A jogabilidade simulando o cursor do mouse foi bem adaptada ao controle.
A arte é sóbria, mostrando uma evolução em relação à caricata série Distraint.
Por vezes o jogo se perde entre o drama e o suspense/horror, com estranhas sombras e frestas para espiar dicas (eu tenho certeza que vi minha sombra caminhar na direção oposta em uma janela!).
Um bom desafio para os amantes de puzzles que não procuram uma história muito detalhada, algo do qual não reclamarei, vide a vaga estranheza de Distraint 1, que foi explicada em detalhes na continuação.