Review / Tutorial de 39 Days To Mars

* Esta análise foi feita com o código cedido pela It’s Anecdotal (versão PS4/PS5)

Distribuidora: It’s Anecdotal
Produtora: It’s Anecdotal
Plataforma: PS4 / PS5 / Xbox One / Xbox Series X / Xbox Series S / Switch / PC / macOS Mac OS / Linux
Mídia: Digital
Ano de Lançamento: 2018/2019

39 Days To Mars é um puzzle cooperativo, mas que também pode ser jogado em modo single player, sobre dois exploradores do século XIX que fazem uma jornada para Marte a bordo da HMS Fearful, uma nave espacial steampunk.

Sir Albert Wickes e The Right Honourable Clarence Baxter são dois distintos cavalheiros ingleses/exploradores espaciais que embarcam em uma jornada de 39 dias (para Marte, como o título sugere).

Coletar carvão no espaço (sim, você leu certo) exige muitas pedaladas e um olho no oxigênio

Caso opte por jogar sozinho, ao invés do seu companheiro britânico, um gato controlado pela IA o acompanha em sua jornada, sendo controlável apenas durante os puzzles.
A mecânica para executar os puzzles consiste em cada jogador controlar uma mão com um analógico e um botão de ação; no caso do jogador individual, é preciso controlar ambos os analógicos e gatilhos (L2 e R2 no PlayStation), o que causa uma maior dificuldade, especialmente quando é necessário controlar um objeto com ambas as mãos (pegar uma faca se torna um desafio por si só).

O maior desafio do jogo é com certeza utilizar a faca corretamente!

Os puzzles são de diferentes estilos e com uma certa dificuldade lógica a princípio, mas ao mesmo tempo muitas vezes auto-explicativos.
Em alguns casos é necessário aprender como solucioná-los, como por exemplo aprender uma versão simplificada de código Morse para enviar um relatório sobre a viagem.

Botânica avançada não é algo que eu esperava dentro da nave

Em outros casos, como ligar tubos para conduzir o vapor, ou redistribuir a energia elétrica através de diversas tomadas, a tentativa e erro se faz necessária.

Não seria uma aventura britânica sem uma boa xícara de chá!

Há ainda os puzzles envolvendo fazer chá e bolo, afinal de contas, estamos falando de britânicos!
Fazer bolo pode ser uma experiência traumática para um jogador, uma vez que a faca (sim, estou citando novamente a faca) para carregar manteiga, geleia ou creme precisa equilibrar a quantidade e ser despejada suavemente sobre o pão (até que eu percebi que poderia pegar o pote e despejar a quantidade diretamente).
Isto se torna mais complexo quando a nave sofreu alguma pane, mas o personagem precisa antes tomar um chá ou comer um bolinho.
Situações tragicômicas de urgência que ocorrem com certa frequência.

Tudo sob controle para Albert e seu gato… no meio do espaço!

Nestes momentos, a comunicação entre jogadores faz a diferença, mas se você estiver sozinho (como foi o meu caso), vai levar mais tempo para resolver, pois é bastante complicado operar duas mãos (ou melhor dizendo, uma mão e uma pata) simultaneamente.

Apenas um pequeno contratempo durante o percurso…

O gráfico de 39 Days To Mars é minimalista, consistindo em traços simples, sem muito detalhamento, sobre algo semelhante a “papel pardo”.
Apesar de simplificada, a animação é bastante fluida, com linhas representando fios maleáveis, possuindo física bem aplicada (diga-se de passagem, um belo trabalho, considerando que o jogo foi feito por apenas uma pessoa: Philip Bucaran).

A trilha sonora possui temas adequados à Era Vitoriana, com uso de piano, e o jogo possui dublagem para os personagens, com seus característicos sotaques distinta e polidamente britânicos, o que dá um tom todo especial de comicidade dentro das situações apresentadas.

A tecnologia vitoriana pode ser um pouco assustadora, mas funciona… às vezes

A platina consiste em zerar o jogo tanto em coop quanto single player, zerar o jogo em menos de 50 e 30 minutos, completar os principais puzzles na primeira tentativa e uma série de troféus envolvendo o número 39, como a quantidade de xícaras de chá boas ou ruins.

RESUMO DA ÓPERA:
39 Days To Mars é um divertido puzzle steampunk, recheado de humor britânico.
A aventura com senso de urgência para consertar os arcaicos controles da nave é entrecortada com as pausas para o chá e os bolinhos.
Os puzzles, por vezes, parecem mais difíceis do que realmente são, à primeira vista, e há até mesmo a biblioteca para aprender como solucionar alguns, como o código Morse e o jardim.
A dificuldade na resolução dos mesmos se dá seja pelo caos do co-op local, onde a comunicação é essencial, ou através do single player, onde o jogador precisa aprender a controlar individualmente duas mãos.
A curta duração do título é convidativa a novas jornadas, especialmente para quem busca a platina.