A Importância da Inclusão (ou A Evolução dos Jogos Como Conhecemos)

Nasci nos anos 80 e vivi minha infância entre esta e a década de 90.
As coisas eram mais “simples” naquela época.

Heróis e vilões eram bem definidos, empresas eram confiáveis, o governo era ruim (mas não era uma ameaça).
O ocidente cristão era o caminho certo, a felicidade era garantida!
Tempos felizes, tempos mais simples… na verdade não!

Homens brancos musculosos resolviam os problemas do mundo na base do tiro e da violência nos filmes e jogos.
Negro ou homossexual? Alívio cômico!
Mulher? Par romântico, donzela em perigo ou a sedutora traiçoeira.

A verdade é que nós, gamers (e eu detesto esse termo, mas não posso fazer nada aqui), éramos os “privilegiados”.
É claro, podíamos ser os nerds excluídos na escola, mas em casa éramos os heróis de mundos atormentados por monstros e alienígenas. Nos víamos nos filmes salvando belas mulheres e derrotando tiranos asiáticos ou russos.

O mundo mudou? Na verdade não!
O mundo continuou como sempre, mas a percepção da sociedade se alterou.
Passamos a perceber a necessidade da inclusão e diversidade.
E isto também aconteceu e vem acontecendo cada vez mais nos jogos.
Não é tarefa fácil, é verdade.
Jogadores têm dificuldade com mudanças e com uma nova percepção de mundo.

Mas experiências diferentes e variadas se fazem necessárias numa indústria que produz tanto material semelhante.
Obviamente ainda existe espaço para as produções mais “clássicas”(com algumas ressalvas), mas não por isso devemos fechar nossos olhos para novas histórias
.Assim como sempre nos sentimentos representados (e quando me refiro a nós, me refiro aos homens brancos que sempre foram o maior público consumidor de jogos), é importante que todos se sintam representados.

Você não é obrigado a jogar algo que não goste ou com o qual não se sinta representado, mas não precisa ser contra o fato de que outras pessoas possam experienciar sentimentos semelhantes.

Acontecimentos como o filme Pantera Negra ou personagens trans como Lev (TLOU2) são válidas experiências não apenas para os seus semelhantes, mas também para que as pessoas ditas “comuns” entendam o que é ser diferente do padrão.

O texto já está longo, mas para melhor ilustrar, vou contar uma experiência pessoal com Mafia 3 (eu sei, eu sei, o jogo tem uma série de problemas, mas ambientação não é um deles):
Entrei em um bar com Clay, o personagem principal do jogo, ambientado nos anos 60/70 dos EUA.
O atendente mandou que eu saísse do bar; como estava apenas indo ao banheiro pegar medicamento, avancei, ao passo que ele sacou uma espingarda de trás do balcão e me ameaçou.
Com pouca energia e não querendo começar um conflito que atrairia a polícia, saí do local, sem entender o que tinha acontecido.

Foi aí que reparei na placa “Não atendemos pessoas de cor” estampada na vitrine.
(silêncio, o homem branco está descobrindo o racismo!)

Estas são válidas aprendizagens que os jogos nos permitem viver.
Mais do que em um livro e certamente muito mais do que em um filme, os jogos nos permitem “sentir na pele” (ainda que virtualmente e em segurança) certas situações que normalmente nos seriam indiferentes.
E é por isso que a inclusão e a diversidade são tão importantes nos jogos e na sociedade.

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