Review / Tutorial de Shady Part Of Me

* Esta análise foi feita com o código cedido pela Focus Home Interactive (versão PS4/PS5)

Distribuidora: Focus Home Interactive
Produtora: Douze Dixiemes
Plataforma: PS4 / PS5 / Switch / Xbox One / Xbox Series S / Xbox Series X / PC
Mídia: Digital
Ano de Lançamento: 2020

Uma menina assustada transfere parte de sua psique para sua sombra, enquanto tenta superar seus medos e dificuldades durante a terapia com seu psicólogo.
Shady Part Of Me é um puzzle 2D e 3D com o uso de manipulação de sombras.

Você controla duas protagonistas: a Menina e sua Sombra em alternância (aqui em maiúscula uma vez que ambas não possuem nomes), sendo a Menina em ambientes 3D e a Sombra em ambientes 2D.

A dualidade da personalidade dividida da protagonista é o foco central do jogo


A personalidade da menina se divide em duas, sendo a sua versão Sombra mais ponderada, com uma voz adulta e calma, resistente à luz, mas temerosa do fogo, enquanto a Menina propriamente dita soa mais infantil, birrenta e medrosa, teme a luz, mas se sente confortável com a presença do fogo.
Durante a jornada, uma voz de homem faz alguns comentários: é o terapeuta da Menina que tenta ajudá-la com seus traumas, embora ela refute tais conselhos e comentários.

O medo da exposição (timidez) faz a Menina evitar a luz


Os puzzles baseiam-se em sobreposição de luzes e perspectiva.
A Menina pode manipular objetos para projetar sombras enquanto a Sombra apenas interage com suas “consortes”, limitando-se ao uso de alavancas, mas sem poder mover caixas, operadas pela Menina.
A Sombra possui a vantagem de poder saltar, limitação da Menina.

A Sombra está presa às paredes, mas possui uma melhor mobilidade


A Menina reclama que está sendo observada por “eles”, representados em seu mundo por bonecos de ventríloquo, provavelmente outras crianças do mundo real.
Tais bonecos serão úteis no último Ato, quando podem ser “possuídos” pela Sombra.

“Eles” são representados na mente da Menina por bonecos observados de seus atos


A Sombra possui a vantagem da agilidade, com saltos e quedas, mas está presa nas paredes, enquanto a Menina está livre em um ambiente tridimensional, embora tema a luz. Essa relação de vantagem e desvantagem mostra como uma depende da outra, afinal de contas ambas são partes de uma mesma pessoa.

O jogo se passa em um mundo imaginado pela Menina, com grandes brinquedos, um grande deserto, um circo e um palco de teatro.
Cada segmento de um dos Atos possui estética e cores próprias.
Mensagens surgem nas paredes, através de palavras e frases gravadas e conversas entre ambas as protagonistas e também o psicólogo.

O mundo da protagonista é repleto de sonhos e medos, com mensagens fracionadas de sua mente pelas paredes


Os puzzles possuem funcionamento simples, embora seja fácil perder-se suas soluções (dificuldade na simplicidade, característica de bons puzzles).
Modular sombras e luz para criar passagens seguras para uma das personagens, aproximar ou afastar caixas da fonte de luz para modificar o tamanho da sombra através da perspectiva, sobrepor dois objetos para fortalecer a sombra e ativar alavancas para modificar a estrutura do cenário são alguns dos exemplos de desafios encontrados.

Os obstáculos mentais da personagem são representados por puzzles com a necessidade de cooperação entre ambas

Origamis de pássaros coletáveis escondem-se pelos cenários. Cada um representa uma peça de quebra-cabeça; juntando todos você monta diferentes painéis mostrando o estado mental da Menina.

Os coletáveis do jogo são os origamis de pássaro, peças dos quadros mentais da personagem


O gráfico de SPoM é um de seus maiores charmes, com cores bastante vivas em alguns cenários e mais “mornas” e monocromáticas em outros. O jogo possui um aspecto de desenho a lápis, com uso de hachuras e animação suave.

Luz e sombra se confundem em paisagens oníricas e cores neutras e pouco saturadas


A trilha sonora é composta por temas leves e de tom melancólico, por vezes assemelhando-se a caixinhas musicais.


A atriz britânica Hannah Murray (a Guilly de Game Of Thrones) faz as duas vozes da(s) protagonista(s), que compõem diálogos sobre traumas e superação.

Hannay Murray brilha na interpretação vocal das personagens

A platina consiste em zerar o jogo e coletar os 98 origamis, o que é o grande desafio do jogo, pois alguns estão visíveis, mas parecem inatingíveis ao primeiro olhar, enquanto outros estão bastante escondidos.
A revisitação de Atos, puzzle a puzzle facilita bastante a caça pelos coletáveis.

RESUMO DA ÓPERA:
Shady Part Of Me é uma bela obra sobre conflitos internos, tomando a perspectiva da personagem sobre dois aspectos de sua mente.
O mundo imaginado pela Menina é vivo e mágico, mas repleto de desafios impostos por ela própria (suas angústias representadas pelos puzzles).
A narrativa em dualidade reforça os sentimentos contraditórios dentro da cabeça da personagem; o terapeuta é uma voz que tenta guiá-la para um caminho mais tênue.
A arte possui uma suavidade e melancolia que se condensam muito bem ao roteiro e o ritmo curto dos puzzles e dos Atos tornam a experiência na medida certa de duração.
Um título bastante reflexivo, Shady Part Of Me consegue falar sobre a superação dos obstáculos metafóricos da psique humana através da resolução de puzzles e superação de obstáculos reais (ainda que na mente da personagem).