Review / Tutorial de Ord.

* Esta análise foi feita com o código cedido pela Ratalaika (versão PS4/PS5)

Distribuidora: Ratalaika Games
Produtora: Mujo Games
Plataforma: PS4 / PS5 / Xbox One / Xbox Series X / Xbox Series S / Switch / PC / macOs / Linux
Mídia: Digital
Ano de Lançamento: 2019/2020

Duas opções. Uma escolha. Três ações.
Assim funciona Ord., da Mujo Games, um jogo de ficção interativa (ou aventura-solo) via texto.

“Ficções interativas” são um antigo gênero de jogos para PC, especialmente na era do DOS, onde não havia imagem, apenas frases descrevendo o que acontecia.
Você escolhia a ação e via onde ela o levava.

Populares nos anos 80/90, as Aventuras-Solo eram uma opção de RPG para o jogador solitário


Este conceito assemelha-se às “aventuras-solo” do RPG de mesa, onde o jogador escolhia um número dentre as opções e este o levava até a próxima escolha.
Em alguns casos, o uso de dado para o combate se fazia necessário.
Em Ord. esse conceito é levado ao extremo, com apenas duas opções e três palavras por vez.

O sistema de três palavras se mostra bastante dinâmico

Substantivo. Verbo. Adjetivo.
Ao se deparar com um acontecimento, item ou novo local, suas opções são dois verbos.
As descrições se resumem a uma palavra, então esteja atento ao responder.

Para facilitar, vamos a um exemplo:
Situação: Guaxinim.
Escolhas – Subornar ou Lutar
Consequência: ao Subornar, você avança sem grandes problemas; ao Lutar você é mordido pelo Guaxinim.

Ao encontrar um Guaxinim, você luta ou o suborna? (e mais importante, terei eu dado o spoiler ou estou mentindo?)


Isso torna não apenas as partidas rápidas, como pode causar mortes ainda mais rápidas.
Para que o jogo não fique muito repetitivo e fácil de decorar, o elemento de aleatoriedade é inserido, fazendo com que algumas situações apareçam poucas vezes, mudando uma cadeia de eventos ou mesmo fazendo com que ela não exista.

O jogo conta com cinco aventuras jogáveis:
– Quest – Uma aventura para destronar o maligno bruxo na torre;
– Dimensions – Tente voltar para casa interagindo com portais e atravessando dimensões;
– World – Seja Deus por um dia e cria um um planeta e sua raça;
– Foul Things – Uma criança aprisionada precisa escapar de um complexo calabouço;
– Heist – Um assalto dando errado e uma solução por meio de vai-e-volta temporais.

Graficamente o jogo é… basicamente uma tela preta com as palavras em branco.
Algumas interações surtem pequenos efeitos, como uma tocha que aumenta a intensidade do clarão sobre as palavras, uma chuva representada por pequenas gotas negras passando pelas palavras e por aí vai.

Pequenos efeitos de sombra e luz perpassam as palavras


O jogo não conta propriamente com uma trilha sonora, apenas alguns sons que acompanham as ações.

A platina envolve uma série de execuções de ações específicas e finais nas diferentes aventuras.
Executar algumas ações pode ser um desafio em termos da complexidade da aventura em questão (Foul Things, eu estou olhando pra você).

RESUMO DA ÓPERA:
Ord. é um jogo bastante diferente do habitual, especialmente em se tratando de consoles.
O formato apenas texto causa estranhamento no começo, mas logo você se adapta ao ritmo das aventuras.
A “falta de gráfico” obviamente é um dos fatores “negativos”, pedindo um pouco de imaginação por parte do jogador.
A variedade de assuntos nas aventuras e as possibilidades aumentam o fator replay, dando bom ritmo ao título (especialmente em Foul Things, a aventura mais complexa).
Um bom título para inspirar a imaginação dos jogadores e relembrar os velhos tempos do MSDOS.