Review / Tutorial de Batbarian Testament Of The Primordials

* Esta análise foi feita com o código cedido pela DANGEN Entertainment (versão Switch)

Distribuidora: DANGEN Entertainment
Produtora: Unspeakable Pixels
Plataforma:  Switch / PC
Mídia: Digital
Ano de Lançamento: 2020

Após ser atacado por orcs, um guerreiro cai em uma caverna subterrânea e deve encontrar a saída do labirinto.


Batbarian Testament Of The Primordials é um jogo de plataforma Metroidvania e hack’n’slash 2D, com elementos de puzzle.
Você controla um entre dois bárbaros: um homem com espada, semelhante ao Conan, ou uma mulher que usa duas garras de metal nas mãos, e um morcego (Pip) que ajuda na solução dos puzzles.


Nas Profundezas Da Terra

A caverna onde o personagem cai é imensa e possui diversas salas interligadas.
O cenário é sempre bastante escuro, apenas iluminado por uma pequena luz que irradia do personagem, representando a sua percepção do cenário.
Dada a escuridão quase absoluta, apenas o personagem e o morcego representam pequenos pontos claros, fato que faz o avanço precisar ser bem calculado para evitar quedas ou armadilhas de surpresa.

A escuridão é uma constante no jogo


Esta percepção (ou consciência, awareness no original) aumenta conforme o personagem sobe de nível (explicado mais adiante).
Pit pode ser usado para iluminar pontos específicos do cenário e/ou ativar mecanismos baseados na iluminação, além de quebrar paredes e atacar inimigos.
Alguns inimigos também emitem luz e há tochas e fogueiras em certos cenários, além de armadilhas com fogo.

O chão é lava!

Dentre as armadilhas, espinhos fixos ou ativados por botões, rios de lava e lagos de veneno são alguns dos destaques.
Portas e pilares podem ser ativados usando-se golpes (estamos falando de bárbaros, ok?), arremesso de pedras ou o próprio Pit, passagens secretas escondidas por rochas destrutíveis e pontes ativadas apenas com a presença de luz são alguns dos obstáculos naturais.
Puzzles envolvendo portais também se fazem presentes a partir de um certo momento no jogo, envolvendo o arremesso através dos mesmos ou a passagem do personagem.

Como Treinar O Seu Morcego

Pit é parte integrante da aventura, sendo usado na solução da maior parte dos puzzles e até mesmo no combate, sendo para atordoar inimigos ou desativar campos de força gerados pelos mesmos.
O pequeno morcego pode ser controlado através do arremesso de frutas com o analógico direito.
Frutas vermelhas servem para deslocá-lo até que eles as coma, frutas roxas fixam-se em alguma superfície, mantendo o mamífero alado mais tempo no local (ideal para mecanismos que exijam um tempo maior de resposta, como plataformas ou pontes móveis) e frutas azuisfixam-se no cenário ou em inimigos, causando um ataque direto de Pip, que pode quebrar paredes ou atordoar inimigos.

Pip ajuda a resolver os puzzles, mas também pode atrapalhar quando se distrai com vagalumes


Além das frutas, pedras arremessáveis podem ser usadas pelo bárbaro escolhido, para ativar mecanismos ou atordoar inimigos, dependendo precisamente da habilidade do jogador com o analógico (uma trajetória indicativa ajuda no processo).
A mecânica de arremesso é bastante importante no jogo, especialmente combinada com as diferentes frutas e seus efeitos no morcego, podendo ser complementada por saltos.

Mais à frente, Pit consome frutos que lhe dão poderes elementais, fogo e gelo, ajudando na solução de novos puzzles e de inimigos de elementos opostos.

As Sombras No Calabouço

Monstros de diversos tipos são os inimigos do jogo, e acredite, eles não pegam leve.
“Macacos voadores” (macacos?), slimes verdes, “plantas” cuspidoras de projéteis, plantas carnívoras, demônios, trolls e outras criaturas (algumas das quais eu sequer saberia descrever!) estão presentes nas 400 salas do jogo (sim, você leu certo).

O poder elemental de Pip se torna imprescindível contra certos inimigos


Não se engane, o jogo tem um visual leve, mas ele é realmente difícil em diversas partes.
Inimigos estrategicamente posicionados para te derrubar ou te forçar a mudar a rota, armadilhas complexas (que envolvem fazer Pip ir ou não para determinado local) e chefes variados gigantescos com ataques de varrer a tela ou pequenos e ágeis, com teleportes e ataques mágicos vão fazer da sua vida um inferno (e você irá adorar isto, acredite).

Mas não se assuste, a dificuldade é bem balanceada com doses cavalares de humor e ironia.
Diálogos hilários são presentes por todo o jogo, seja nas respostas que você pode escolher ou mesmo na ingenuidade de certos inimigos.

Ah, os velhos tempos!


Apesar de não haver seleção de dificuldade, existem várias opções de acessibilidade, para pessoas com deficiência (ou para quem não aguentou a dificuldade e quer apelar pro modo easy).
Maior clareza do cenário, aumento de experiência ganha, mais força ao atacar inimigos fracos, aumento de defesa e aumento de ataque, etc.

Evolução E Aliados

A evolução do jogo se dá de forma diferente, baseada em “sorte”; ao subir de nível, três roletas serão responsáveis por três evoluções de nível em um dos três atributos: Percepção (a capacidade de ver melhor e mais no escuro), Ataque e Defesa.

A evolução de atributos é baseada na sua sorte


Dependendo da sua sorte (ou azar) você irá evoluir de maneira diferente o personagem.
No meu caso, Percepção e Defesa foram os atributos que eu mais consegui, enquanto Ataque se tornou quase raro, fazendo com que meu bárbaro não fosse lá muito forte.

Itens para aumentar a capacidade de frutas e pedras que podem ser carregadas, além de melhoria em habilidades básicas, como botas que aumentam a velocidade da corrida e ataque carregado da arma são alguns dos itens que o ajudarão na quest.

Nem toda parceria começa da melhor maneira…


Além de Pip, outros aliados se juntam (temporariamente) ao guerreiro: um mago, um ladrão e um inimigo que seria spoiler, que se junta mais para o final do jogo, cada qual com ataques especiais, mas de longo recarregamento: bolas de energia do mago, bombas do ladrão e ataques de espada do aliado extra.
Para completar o cast, um cogumelo pai de família age como vendedor, fornecendo itens de upgrade, como bolsas para carregar mais pedras ou frutas.


Paisagens e Som

Os cenários são vastos e detalhados, mesmo na arte 2D pixelada. Personagens e inimigos bastante expressivos; o jogo é bastante colorido, embora a escuridão tenda a esconder boa parte das salas.

Cenários e chefes bastante detalhados (ou uma mistura dos dois, acima)


O mapa é diferenciado por cores referentes a cada conjunto de salas e é possível marcar pontos de interesse nele, como baús e segredos não descobertos ou acessados.
Fogueiras permitem salvar o jogo (e recuperar o HP), além de teleporte entre fogueiras, bom para quando você precisa voltar em alguma área distante para desbloquear um segredo, mas não lembra como chegar lá a pé.

Depois de quase 24 horas, menos de 70%… e eu achei que tinha explorado bem o mapa!


A trilha sonora é excepcional, unindo temas mais “dançantes” semelhantes às músicas da franquia Castlevania, com uso de piano e violino. Contrariando o que se espera de jogos com visual retrô (geralmente chip tune), as músicas de BTOTP possuem som claro e limpo.
Por vezes não dá vontade de mudar de área, para poder continuar ouvindo a música do local. 


RESUMO DA ÓPERA:
Batbarian Testament Of The Primordials é um Metroidvania sólido, com desafio alto e bom humor.
A dificuldade pode se mostrar frustrante em diversos momentos, mas as assistências podem ajudá-lo a aliviar o stress envolvido (seu maldito trapaceiro!).
A arte e trilha sonora dão um show à parte, especialmente na tela em modo portátil (embora a escuridão se intensifique desta forma).
Os puzzle envolvendo o uso de Pit são bastante engenhosos e dão boa variedade ao título.
Uma experiência recomendada para fãs mais hardcore, embora possa ser apreciada por jogadores casuais, munidos de assistências ligadas e bastante paciência.

PONTOS POSITIVOS:
– alto desafio e mecânicas bem integradas
– puzzles instigantes
– trilha sonora fantástica
– boa relação custo-benefício em termos de duração
– eu já falei da excelente trilha sonora?
– possibilidade de marcar o mapa com pontos de interesse

PONTOS NEGATIVOS:
– diversos momentos frustrantes
– os saltos podem ser difíceis de controlar quando é necessária mais precisão
– na parte final a introdução de portais deixa o jogo bastante complexo