Review / Tutorial de Vigil The Longest Night

* Esta análise foi feita com o código cedido pela Another Indie (versão Switch)

Distribuidora: Another Indie
Produtora: Glass Heart Games
Plataforma:  Switch / PC (PS4 e Xbox One futuramente)
Mídia: Digital
Ano de Lançamento: 2020

Um Sombrio Mundo Sem Sol

Vigil The Longest Night é um metroidvania com ambientação gótica e leves elementos de Souls, com grande foco no combate e narrativa.

Leila é uma Vigilante, treinada para o combate e a sobrevivência.
Regressa de sua jornada após receber uma carta de sua irmã, Daisy, mas não a encontra em casa.

O lore é explicado ao longo do jogo, em estátuas, livros e conversas


Durante a investigação do paradeiro da irmã, vai adentrando cada vez mais nos profundos mistérios que envolvem a cidade e seus arredores.
Uma praga que infesta moradores estudada por um médico e uma Deusa em um mundo sem dia são alguns dos mistérios sobre os quais Leila precisará investigar (e batalhar).
(para evitar spoilers sobre a trama, que já possui algumas reviravoltas logo no começo do jogo, limitarei a sinopse do roteiro)

O mundo de Vigil não possui a luz do Dia


O Perfeito Balanço Entre Metroidvania e Souls 

Para começo de conversa, sim, apesar de uma clara inspiração em Souls, o jogo POSSUI níveis de dificuldade, então fique tranquilo se o seu medo era este.

Como um bom metroidvania, o progresso em VTLN está atrelado a habilidades que a personagem ganha ao derrotar chefes (como pulo duplo, dash e outras).
Leila possui um vasto arsenal à sua disposição, entre espadas, facas, alabardas e arcos, incluindo aí diversos itens consumíveis como armas arremessáveis, poções (cura e veneno), bombas e armadilhas.

Leila pode aceitar uma série de sidequests de NPC’s que a ajudam a entender melhor o que está acontecendo no local: de resgates de amigos e familiares perdidos a busca por itens ou análises de dungeons para entender melhor o lore.

O ferreiro pode encantar e melhorar equipamentos


Na cidade é possível comprar itens e também visitar um forjador, que melhora equipamentos e encanta armas e armaduras.
Os melhoramentos são feitos através de pedras de diferentes formatos e uma quantia de dinheiro, aumentando os status do equipamento em si; já os encantamentos pedem gemas elementais e são mais difíceis de conseguir, sendo possível escolher um entre dois atributos diferentes por equipamento.
Além das tradicionais vestimentas/armaduras, é possível equipar máscaras e capuzes/chapéus, além de quatro anéis com diferentes bônus.

A Sutil Arte Do Combate

Um dos pontos fortes do jogo, o combate é bastante técnico e preciso, pedindo atenção constante do jogador.

O mundo de Vigil apresenta monstros com forte inspiração no estilo Lovecraftiano, com deformidades, tentáculos e tumores.
Cada novo inimigo apresenta um padrão de ataque e pede uma estratégia diferente: mudar a arma de escolha pode ser uma boa ideia.

A apresentação dos chefes sempre causa impacto


Esqueletos, morcegos, ursos deformados, criaturas abissais…sua imaginação é o limite.
Os chefes são gigantescos (em sua maioria), possuindo ataques que devastam toda a tela ou causam efeitos negativos, como envenenamento ou queimaduras.
Nestas horas é importante saber usar com sabedoria a esquiva, o “rasteirão” para fugir deslizando de algum ataque, o counter e o parry.

Isso na sua mão é um tronco de árvore ou você só está feliz em me ver?

Aqui um caso pessoal que achei bastante divertido:
Na penúltima dungeon do jogo, ao passar trabalho com determinado chefe, aprendi a aplicar o parry perfeito, derrotando-o apenas desta maneira.
Orgulhoso, pensei ter me tornado um mestre no jogo, apenas para dar de cara com um chefe na última dungeon que simplesmente usava parry contra o meu parry, neutralizando minha vantagem e fazendo com que eu tivesse de reaprender a enfrentá-lo.

Hey, você não é desse jogo, o que tu tá fazendo aqui?!?!!?!?

Cada estilo de arma possui uma habilidade própria: para citar dois exemplos, a espada possui uma defesa (que não impede totalmente de receber dano) e pode ser combinada com o counter, enquanto a alabarda possui um ataque carregável (solte quando a arma ficar amarela) que causa efeito massivo no inimigo, mas deixa a personagem vulnerável.

Counter e parry são seus principais amigos quando a escolha é a espada


As habilidades podem ser melhoradas com pontos, distribuídas em cinco “árvores”: quatro para os tipos de armas e uma para saúde e uso de itens.
Cabe a você distribuir os pontos da melhor maneira, conforme seu estilo de luta.

“O Horror, O Horror, Eu O Abraço”

Vigil possui um estilo de arte gótica num universo medieval de horrores e muito couro.
Os cenários possuem um estilo bastante sombrio, complementado pela belíssima arte 2D (com uma pitada de 3D?).
O preto da escuridão e o vermelho do sangue e das vísceras destacam-se na palheta de cores.

Cenários macabros como um longo pesadelo em uma noite sem fim


As dungeons possuem diversas armadilhas como espinhos metálicos e guilhotinas, além de várias passagens secretas.
Explorar cada canto pode recompensá-lo com consumíveis para si próprio e para upgrades, além de equipamentos raros (como máscaras e chapéus que não são encontrados nas lojas).

A trilha sonora também ganha destaque, com um misto entre barroco e metal.
O uso de piano e órgão (cravo também, se meu ouvido detectou bem) para os cenários em geral dá lugar ao heavy metal nas lutas contra chefes, marcando bem o ritmo da ação.

Nem Tudo São Flores

Infelizmente alguns problemas se fizeram presentes na versão testada (Switch).
Longos loadings no início e o jogo fechando por erro em algumas transições de tela (o que voltava os saves para saves anteriores, perdendo um pouco de progresso), além de um momento em que precisei resetar o console pois as conversas com NPC’s não estavam ativando (o que pode talvez ser explicado por eu estar jogando há quase 8 horas seguidas).

Mas tenha em mente que esta versão foi jogada para análise algumas semanas antes do lançamento, ou seja, antes dos patches de correção, que são comuns no dia de lançamento ou nas semanas seguintes.

RESUMO DA ÓPERA:
Vigil The Longest Night apresenta um belo pacote para quem é fã de Metroidvania e Souls, com seleção de dificuldade (o que torna o jogo inclusivo para mais jogadores).
As belíssimas trilha sonora e arte se complementam, costuradas por um roteiro instigante e envolvente.
O universo de horror é muito bem representado em uma boa duração (em torno de 15 horas sem explorar totalmente o mapa) e múltiplos finais (baseados em escolhas ao decorrer da trama).
Alguns bugs aqui e ali atrapalharam um pouco a experiência, sem tirar seu brilho.
Vigil se mostrou um excelente jogo e uma grata surpresa em 2020 (sim, eu sei que falo muito isso nas análises, mas realmente tem sido um ótimo ano para indies).
Se ele ainda não saiu para a plataforma que você possui, fique de olho, pois ele certamente vale o seu dinheiro.

PONTOS POSITIVOS:
– ótimos roteiro e lore
– jogabilidade técnica e combate desafiador
– arte impecável 
– trilha sonora excelente, mesclando temas clássicos e metal

PONTOS NEGATIVOS:
– alguns bugs na versão testada (pré-lançamento)
– alguns erros de ortografia e gramática no português