Review / Tutorial de Ty The Tasmanian Tiger HD

Lançado para PS2, Xbox e Game Cube, Ty The Tasmanian Tiger é um jogo de plataforma 3D coletaton, desenvolvido pela Krome Studios e publicado originalmente pela Electronic Arts.
O título possui três continuações (Ty the Tasmanian Tiger 2: Bush Rescue, Ty the Tasmanian Tiger 3: Night of the Quinkan e Ty the Tasmanian Tiger 4), sendo as duas últimas publicadas pela Activision.

A versão remasterizada desta análise foi lançada para PC em 2016, tendo agora em 2020 o port para PS4 e Switch (uma versão para Xbox One será também lançada, ainda sem data definida).

* Esta análise foi feita com o código cedido pela Krome Studios (versão PS4)

Distribuidora: Krome Studios
Produtora: Krome studios
Plataforma:  PlayStation 4 / Switch / (Xbox One ainda sem data prevista)
Mídia: Digital
Ano de Lançamento: 2020

Mamíferos x Aves

No papel do Tigre-da-Tasmânia Tyrone, mais conhecido como Ty, você precisa coletar Ovos de Trovão (Thunder Eggs) para alimentar uma máquina de teletransporte de Julius (um cientista Coala) e recuperar os cinco talismãs “perdidos” pelo vilão Boss Cass (um Casuar, prepare-se para várias referências a animais exóticos!) que, por ser descendente dos dinossauros, sonha derrotar os mamíferos.

Os pais biológicos de Ty foram sugados para a dimensão Dreaming e ele foi adotado por um casal de Bilbies (um pequeno tipo de marsupial com “orelhas de coelho”). Ao ser sugado pelo portal aberto por Cass (para aprisionar os Tigres-da-Tasmânia), o pai de Ty arremessa seu bumerangue, arrancando os talismãs, que são também engolidos pelo portal.

Os bumerangues são a principal arma de Ty

Como dito anteriormente, TTTTHD é um plataforma 3D coletaton, ou seja, foco em coletar diversos itens.
A região da morada dos tigres é o HUB central do jogo, onde surgem os portais para as diversas fases.
Cada mundo possui uma série de desafios que dará Thunder Eggs, itens necessários para desbloquear mais fases através da máquina de Julius.

Antes de cada novo desbloqueio, surge uma luta contra chefe; derrotado este, três mundos surgem em outro ponto do HUB.
As fases (ou mundos) possuem diversos desafios, cada qual resultando em um Thunder Egg como prêmio, variando de coletar 300 cristais a vencer um desafio de tempo, libertar os cinco Bilbies da fase, dentre desafios específicos de cada mundo.

Além dos cristais, há diversos cartões-postais espalhados pelas fases, em caixas semi-transparentes/invisíveis e engrenagens douradas.
Estas engrenagens servem para Julius desenvolver novos tipos de bumerangues para Ty; alguns bumerangues são upgrades naturais ao decorrer da história.



Bumerangues Para Que Te Quero!

Como ataques, Ty possui os bumerangues e também uma mordida com dash. Alguns inimigos são invulneráveis aos bumerangues e apenas afetados pela mordida e vice-versa.
Diversos bumerangues são obtidos ao decorrer do jogo, como Multirangue (dispara diversos), o de Fogo, o de Gelo, o Zoomerangue (possui função de zoom, possibilitando arremessos mais longos), o bumerangue explosivo e diversos outros. 

Todo bom coletaton que se preze precisa de cristais para serem coletados

O acesso às novas partes do HUB central geralmente se dá pelo uso dos bumerangues obtidos através da história, que possibilitam descongelar uma passagem ou apagar um incêndio que impedia o acesso prévio.

Os inimigos variam de lagartos a robôs, passando por jacarés, tubarões e morcegos.
As lutas contra chefes são bastante variadas e mais voltadas ao elemento puzzle: descubra onde e como causar dano ao chefe, geralmente envolvendo destruir sua armadura antes.
O jogo vai ficando mais desafiador perto do final, com destaque para o último ataque no chefe final, que requer uma boa dose de habilidade (e também de paciência).

Maurie é o mentor de Ty na aventura, apesar de ser uma ave

Os mundos do jogo variam de florestas, montanhas nevadas, praias, um deserto australiano e uma área industrial.
Os diversos desafios são espalhados pelo cenário e pedem bastante exploração, seja por acessar áreas escondidas através de plataformas móveis (muitas delas ativadas por botões escondidos no fundo d’água ou no alto de montanhas) ou mesmo em rotas acessíveis apenas ao “final” da fase (contornar planando uma montanha, por exemplo).

Não se deixe enganar, o Casuar (raça de Boss Cass) é bastante violento

Graficamente as coisas são um tanto complicadas, afinal de contas, estamos falando de remasterizar um jogo 18 anos depois.
O primeiro impacto visual foi estranho, em parte pelo formato mais “poligonal” dos personagens.
Passado o primeiro momento, no entanto, o gráfico passa a incomodar menos e até possui alguns momentos interessantes.
Os efeitos de sombra e luz destacam-se, especialmente com os bumerangues de fogo e gelo; em outras partes, o “efeito HD” piora as coisas, mostrando sombras no pescoço de Ty ou em alguns objetos específicos de cenário muito escuros.

Caso você esteja se perguntando o que é um Bilbie, aí está!

O estilo artístico cartunesco ajuda bastante aqui, causando menos estranheza. A CG inicial é um bom termômetro disto: embora não seja refeita e tenha um aspecto mais “embaçado” (que representa bem como era o gráfico original, com uma resolução muito menor), fica menos destoante do que jogos com arte mais realista (eu ainda tenho pesadelos com as CGs do remaster de God Of War 1).

Versão HD à esquerda e original à direita

A trilha sonora do jogo é bastante relaxante, com temas condizentes com os jogos de mascote. As vozes dos personagens são bastante características, com um belo sotaque australiano.

A platina se dá através dos diversos coletáveis e do número de mortes por determinados bumerangues, bem como do acesso a todos eles.
Embora não seja particularmente difícil, pede bastante exploração e atenção aos detalhes de como atingir determinados pontos do cenário que antes pareciam inalcançáveis. 

RESUMO DA ÓPERA:
Ty The Tasmanian Tiger HD é uma boa volta às origens da plataforma 3D.
Apesar de alguns problemas relacionados à idade do jogo e ao design antigo (botão de ação no triângulo e câmera invertida ao nadar), o remaster segura bem as pontas, trazendo de volta uma pérola escondida na geração do PlayStation 2.
A relevância de Ty enquanto mascote 3D se mostra sólida nos dias de hoje, provando porque ele teve três continuações.
Uma ótima oportunidade para descobrir este jogo que passou batido por diversas pessoas (eu incluso), TTTTHD resgata uma certa nostalgia dos coletatons de outrora, com um estilo leve e mais infantil de jogo, recheado de piadas mais adultas e várias referências a filmes.

PONTOS POSITIVOS:
– personagens bem dublados e divertidos
– mecânica funcional e relevante dos bumerangues
– boa diversidade de cenários e desafios

PONTOS NEGATIVOS:
– gráficos variando bastante a qualidade do remaster
– gameplay datado em certas partes