Review / Tutorial de Distraint 2

Price está de volta, numa aventura por sua mente e sentimentos após os eventos do primeiro jogo.

* Esta análise foi feita com o código cedido pela Ratalaika (versão PS4)

Distribuidora: Ratalaika Games
Produtora: Jesse Makkonen
Plataforma:  PlayStation 4 / Xbox One / Switch
Mídia: Física e Digital (pré-venda da física para Switch)
Ano de Lançamento: 2020

Link da Distraint Collection pela PLAY ASIA:
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Após os eventos do primeiro jogo, tomado pela culpa, Price embarca em uma jornada intimista, através de seus sentimentos e dos impactos causados por conta de seu antigo emprego.

Price é aconselhado por Razão a encontrar Esperança, mas Ganância o atormenta constantemente.
Durante sua aventura, onde enfrentará seus traumas do passado, o jovem cobrador precisará lidar com diversos outros sentimentos, como Perda, Conforto, Agonia e Inspiração (dentre outros).

Há também pequenos flashbacks sobre sua infância, revelados através de conversas com um psicólogo, que o ajuda a melhor entender parte do que aconteceu durante sua vida e de como isso impactou suas escolhas e ações no emprego.

Flashbacks da infância de Price ajudam a entender os eventos do primeiro jogo

A primeira coisa a dizer sobre este jogo é: WOW.
Gostei bastante do primeiro, mas o que esqueci de mencionar na análise dele (que você pode conferir aqui) é que o jogo inteiro foi feito por um cara: Jesse Makkonen.

Como os Perpétuos, de Sandman (obra em quadrinhos de Neil Gaiman) os sentimentos de Price são aqui representados em formas humanoides, sendo os dois principais antagonistas, Razão e Ganância, representados respectivamente por um senhor com uma grande bagagem nas costas (semelhante a um caixeiro viajante) e um homem de cabelos brancos e de terno (que aparece brevemente no primeiro título).

Ganância tenta impedir que Price encontre Esperança

Dentre as novidades, a possibilidade de esconder-se em armários, para evitar A Criatura do Medo, personagem disforme, que possui diversas aparências e persegue Price em determinados pontos.

Os puzzles também foram ampliados, com novos tipos, como uma sequência de imagens em um filme e um puzzle musical. Quebra-cabeças de peças rotacionais ou móveis para formar imagens também aparecem aqui, além das tradicionais interações de itens com cenários, costumeiras ao gênero point-and-click e ao primeiro jogo.

Graficamente, não há grandes inovações em relação à arte, mas um uso mais profundo de efeitos nos cenários e na iluminação (já ótima desde o primeiro jogo).

A iluminação dá um show à parte, criando um ótimo efeito de terror mesmo no ambiente 2D

A trilha sonora segue competente, bastante minimalista em alguns pontos e mais chamativa em outros, dando boa ambientação.
Ela tende a ser mais sombria, o que segue o estilo do segundo jogo, mais macabro e com menos humor do que o primeiro (o que condiz com o final do primeiro título).

Em termos de troféus, a platina é relativamente fácil, embora existam troféus que podem ser perdidos.
Aqui preciso relatar um pequeno bug do qual sofri, tendo salvo o jogo no epílogo (versão PS4), para ganhar o troféu de falhar, acabei por entrar em um looping onde escolher continuar ou desistir sempre me mandava de volta para o menu inicial.
Como não achei solução, acabei por ter de recomeçar o jogo, mas por tratar-se de uma aventura curta, não foi um grande problema e ainda aproveitei para pegar alguns troféus perdidos e analisar melhor certas partes do jogo. Então se você está na versão PS4, evite tentar pegar o troféu de falhar no epílogo, pegue ele antes (não sei ao certo se foi um bug específico comigo e não achei mais ninguém na internet com o mesmo, mas nunca se sabe).

RESUMO DA ÓPERA:
Distraint 2 é um trabalho impressionante (de um homem só!), uma jornada através da culpa e do remorso do personagem, passando por diversos acontecimentos de sua vida.
Ao fim da jornada, uma lágrima solitária escapou de meus olhos, algo que eu realmente não esperava acontecer.
Distraint 2 não é somente um jogo exemplar, como desmonta a tese de que indies dificilmente têm continuações à altura do primeiro título, como ainda melhora diversos aspectos e amarra pequenos detalhes que pareciam apenas estranhos (explicando porque um elefante perseguia Price, por exemplo).

Jesse Makkonen, se você ler isto, saiba que esperamos Distraint 3 (ou uma nova franquia), não importa quanto tempo demore!

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