Review / Tutorial de Demon’s Tier +

Um rei demônio retorna para dominar o mundo e deve ser combatido por seis bravos heróis, percorrendo calabouços com inúmeros inimigos, armadilhas e tesouros.

* Esta análise foi feita com o código cedido pela CowCat (versão PS4)

Distribuidora: CowCat
Produtora: Diabolical Mind
Plataforma:  PlayStation 4 / PS Vita / Xbox One / Switch
Mídia: Física e Digital
Ano de Lançamento: 2020

O Rei Thosgar foi corrompido pelo Mal, mas derrotado por dois bravos heróis no passado.
Agora, ele retorna para tiranizar novamente o mundo com seu séquito de criaturas amaldiçoadas.

Seis heróis se elevam para combater novamente o rei maligno, enquanto avançam por calabouços repletos de monstros, tesouros e escuridão, enquanto são perseguidos de perto pela própria Morte.

Demon’s Tier + é um dungeon RPG dual stick shooter com elementos de roguelike (UFA!).
Mas calma, vamos por partes.



SEIS HERÓIS, UM DESTINO

São seis heróis iniciais para escolher: Cavaleiro, Maga, Arqueiro, Clériga, Berserk e Assassina. Os dois heróis do passado são desbloqueados conforme se vence os Tier de dificuldade: Valquíria no Tier 1 e Guerreiro no Tier 2 (o jogo vai até o Tier 3 de dificuldade)

Cada herói possui diferença de atributos iniciais: vida, defesa, ataque, distância (relativo ao alcance dos ataques) e velocidade. Uma habilidade acompanha cada um dos personagens, adicionando bônus ou ataques especiais.

Os seis heróis principais da aventura

Além disso, é possível usar um escudo de proteção para repelir um ataque em momentos de sufoco (bastante útil nos chefes), mas é necessário esperar a energia recarregar para usá-lo novamente.

É possível carregar dois tipos de itens por vez: três poções de cura e uma corda mágica para fuga (ambos comprados na loja, na cidade-hub). Para usar os itens, é necessário alterná-los com a habilidade.

Na loja de poções é possível comprar (inicialmente) chaves de metal para libertar prisioneiros, poções de cura e cordas mágicas para fugir da dungeon. As chaves e cordas podem ser compradas até o limite de 99, já as poções de cura, apenas três por vez (não ache que o jogo vai facilitar tanto a sua vida).

No Ferreiro é possível comprar armas melhores, mediante o achado de fórmulas escondidas em baús nas dungeons (geralmente após chefes). São 10 armas por personagem, cada uma com vantagens de atributo específicas (e relativamente caras de serem compradas).

O ferreiro é responsável por fabricar as armas das fórmulas encontradas

Na Taverna é possível recrutar os heróis (estes sim, bem caros).
Lembrando que cada personagem começa o looping de gameplay sempre com seus atributos básicos; as armas não são perdidas quando compradas, mas os atributos upados serem apenas para a run específica.

É na cidade também que o segundo jogador pode embarcar na aventura, em coop local.

A cidade funciona como hub entre as runs; aqui é possível habilitar o coop, desbloquear heróis, fabricar armas e comprar itens

DUNGEONS PIXELADAS

A cada run, uma série de dungeons e chefes precisam ser derrotados até o enfrentamento final contra o Rei Thosgar.
Como dito anteriormente, o jogo é um roguelike, portanto cada fase é gerada aleatoriamente (embora os cenários sigam a temática em ordem determinada).

Existem objetivos a serem alcançados antes de seguir para o próximo nível: matar todos os inimigos, explodir todas as bombas, abrir todos os baús, achar a chave secreta e abrir o baú, matar o inimigo secreto da fase ou matar todos os inimigos e repelir o Ceifeiro (Reaper).

O coop local é uma boa pedida para quem está tendo dificuldades nas dungeons

Em cada estágio, uma horda de inimigos avança sobre os personagens, atacando no corpo a corpo ou com projéteis. A turba de monstros é variada, de cavaleiros montados em outros monstros rastejantes, torres de defesa e espelhos mágicos a criaturas voadoras, magos negros e beholders.
A cada estágio finalizado, é possível upar os atributos e a habilidade do personagem com a experiência obtida.

Ao final de cada batalha, é possível melhorar os atributos do personagem (que serão resetados ao fim da run)

Existem também diversos itens espalhados pelos cenários, como barris e caixas, baús normais e trancados e celas com prisioneiros. As celas com prisioneiros podem ser abertas com as chaves de metal compradas na loja ou eventualmente algumas achadas pelo cenário (embora raras), já os itens destrutíveis e baús abrigam tesouros (úteis para comprar os itens e desbloquear personagens na cidade) e corações para recuperar a vida. Os baús grandes precisam de uma chave de ouro, geralmente no poder do maior personagem do estágio, abrigando mais corações, uma quantia maior de tesouros ou uma fórmula para arma do personagem.

As lutas contra os chefes gigantes quase transformam o jogo num shmup, tamanha é a quantidade de projéteis para desviar em alguns momentos. Aqui os prisioneiros libertos fazem uma grande diferença, somando projéteis aos ataques do personagem. Uma boa combinação entre o escudo, a habilidade especial e movimentação pelo mapa é a chave para sobreviver ou não.
Lembrando que, em caso de possível morte, é sempre possível usar a corda mágica para escapar da dungeon sem perder o dinheiro acumulado, embora os atributos upados sejam resetados.
Caso morra, uma tumba fica naquele estágio da morte, sendo possível recoletar o ouro perdido ao ser destruída em outra run, mas não morra antes de chegar lá, ou a tumba desaparecerá.

As lutas contra chefes pedem cuidado na movimentação devido aos múltiplos disparos

Os gráficos são pixelados, no estilo 16-bits, com uma paleta de cores bastante colorida e diversificada.
Apesar dos pixels e dos personagens pequenos na tela, apresentam até mesmo certas expressões e a movimentação é bastante fluída. O 16-bits é na verdade falso, pois a simulação permite mais camadas e transposições do que os consoles desta época permitiriam, sendo mais uma escolha artística.
A história é contada através de cutscenes com uma arte estilizada “em anime”.

A história do Rei Thosgar é contada entre as dungeons

A trilha sonora segue um estilo bem popular entre RPGs 16-bits, com temas medievais, embora se destaque mais na cidade e nas lutas contra chefes, ficando um pouco apagada nas fases normais.

A platina, embora peça “pouco”, é guiada pela dificuldade do jogo.
A maioria dos troféus é baseado no simples avançar do jogo, pedindo para salvar determinado número de prisioneiros, desbloquear todos os personagens e compras diversas.
Os troféus de fechar o jogo nos três Tier são o verdadeiro desafio.

RESUMO DA ÓPERA:

Demon’s Tier + oferece uma boa mistura entre dual stick shooter e dungeon-RPG.
Os gráficos pixelados devem ficar mais bonitos em telas menores, como o PS Vita ou o Switch em modo portátil, mas isso não chega a ser um problema nos consoles de mesa. As cores e o estilo escolhido de animação facilitam a visualização, mesmo com múltiplos inimigos em tela, sem comprometer o desempenho.

A dificuldade alta assusta a princípio e pode ser injusta em certas partes, mas faz parte do charme do jogo. Os Tiers de dificuldade aumentam a vida dos inimigos e desbloqueiam novas opções de itens na loja de poções, aumentando o fator replay do jogo.
O cast é bem variado e as diferenças entre atributos de personagem modificam a abordagem nos combates.

PONTOS POSITIVOS:
– gráficos pixelados bonitos e bem coloridos
– gameplay divertido e fluído
– variedade alta de inimigos por cenário
– sistema viciante de looping de gameplay, com runs curtas, mas desafiadoras

PONTOS NEGATIVOS:
– alguns picos de dificuldade podem assustar em determinadas runs
– a falta de um dash nos personagens dificulta fugas em momentos de multidão de inimigos