DESCOBRINDO FRANQUIAS: Ys (parte 2)

E vamos continuar nossa jornada pela série. No post anterior foi abordado até o Ys IV, além do Origin. Caso não tenha visto o post anterior, segue o link abaixo.
https://shin-reviews.com/2020/05/19/descobrindo-series-ys-parte-1/
E começando, um mapa com a localização onde se passam os jogos deste post marcada.
Um mapa do mundo de Ys
Agora, vamos pular?

Ys V

Ys V
Lançado em 1995 para Snes, Ys V – Ushinawareta Suna no Miyako Kefin (Kefin, Lost City of Sand) apresentou uma jogabilidade totalmente diferente dos jogos anteriores. Adol agora pode pular (sim, vamos pular bastante) e se defender com um escudo, modernizando a jogabilidade e deixando para trás o “bump-system”. Foi desenvolvido pela Falcom e no ano seguinte, em 1996, ganhou uma versão melhorada no mesmo Snes (a versão Expert), com dificuldade mais elevada, uma dungeon extra e algumas coisas a mais. Em 2006 ganhou um remake no PS2, e neste caso publicado pela Taito, usando uma engine similar ao remake do quarto jogo no PS2, com sprites no estilo “super deformed”, com cabeções. Este foi o único jogo da série que nunca ganhou uma versão localizada oficialmente, recebendo em 2013 uma tradução de fãs da primeira versão, através do grupo Aeon Genesis. Esta versão original será a que comentarei a seguir.

Adol ouve rumores sobre uma cidade fantasma chamada Kefin, no deserto da Afroca (os nomes das localidades nos jogos são similares ao nosso mundo por vezes). Disto, parte para investigar, chegando na cidade portuária de Xandria (nome similar a Alexandria, no Egito). Lá conhecerá um mercador local chamado Dorman, que financia aventureiros a buscar cristais que seriam a chave para abrir uma passagem para Kefin, reino que teria um rico conhecimento em alquimia. Conhecerá também Niena, que está em busca de encontrar o paradeiro do pai adotivo Stein, um aventureiro desaparecido faz 3 anos, e do qual Adol começará a seguir seus passos. Stein encontrou Niena no deserto, sem lembranças e acabou adotando-a anos atrás.

Personagens
Personagens principais (artes da versão PS2)

As localidades exploradas neste capítulo tem uma diversidade grande, com diversas ruínas, áreas florestais, desérticas e cidades com diferentes culturas.
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A jogabilidade é mais cadenciada que em alguns jogos mais conhecidos da série, e o desenvolvimento da história ou personagens bem básico. Aqui Adol tem 2 levels que sobem de forma independente: um para o físico e um para o mágico. Derrotando inimigos com ataques físicos levará Adol a evoluir seu nível físico, que aumentam significantemente HP e atributos relacionados ao físico, como força (str). Já atacando com magias fará Adol evoluir significantemente o MP e atributos relacionados a magia, como inteligência (int). É o único jogo da série onde o jogador controla o uso do escudo para bloquear ataques. Adol se move em 8 direções, porém pula apenas em 4 direções, o que torna um pouco limitado as partes de “platforming” no jogo, que não são tantas por um lado. Para usar magias é necessário encontrar pedras elementais pelos cenários (não tem a venda) bem como encontrar um alquimista para de fato criar as magias através das pedras.
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Disto, magias tem um certo tempo de carregamento (muitas vezes grande), e podem atacar todos inimigos visíveis algumas. Elas não são utilizáveis nos chefes, provavelmente por decisão que quebraria facilmente as batalhas. Sendo sincero, não vi tanta utilidade prática nas magias, tem 1 inimigo no deserto que só é invulnerável a magia de luz por exemplo, mas por outro lado é o único jogo da série onde Adol pode evocar tsunamis, logo tem este fator peculiar.
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Por fim, esta versão inicial dele é um jogo bem curto, com uma partida levando em torno de umas 10 horas. Também é bastante fácil, permitindo usar itens de recuperação de HP nos chefes. Seguem mais umas imagens, das versões Snes e PS2.

Snes
Versão Snes
PS2
Versão PS2

E finalizando então, um jogo onde Adol aporta com sucesso e sai sem um naufrágio? Será?

Ys5 - Adol e o naufrágio
*Nenhum grande spoiler, fiquem tranquilos

E vamos ao próximo naufrágio, quer dizer, jogo. 🙂

Ys VI: The Ark of Napishtim

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Ele disse com um sorriso… Longe a oeste do nosso continente… no final do oceano.
Dizem que a área chamada “O Grande Vórtice de Canaan” existe lá.
Engolindo navios do Oeste.
Porque existe o vórtice lá? E o que há além dele?
Se você for um aventureiro, isto irá despertar seu interesse.
Agora, vamos ver o “Grande Vórtice de Canaan”? Vamos lá?

Ys – The Ark of Napishtim inicia uma nova era na série, com uma jogabilidade rápida e mais refinada e com muitos elementos de “platforming”. Lançado inicialmente para PC em 2003 no Japão, e com ports para PS2 em 2005 e PSP em 2006 pela Konami, foi um jogo que ganhou relativamente rápido localizações para os consoles, saindo nos mesmos anos no Japão e América. Para PC oficialmente só foi localizado em 2015 pela Xseed Games. Este é o jogo inicial da engine que foi utilizada posteriormente (e com refinamentos) em The Oath in Felghana e Ys Origin. Além da jogabilidade e da sempre presente ótima trilha sonora, um destaque do jogo que quero ressaltar é a sua arte, como pode ser visto já de início na abertura.

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Três anos após os eventos de Ys V, Adol encontra Dogi em alguma cidade da península Ibérica e resolvem ir juntos para a cidade de Ediz, local com muitos comerciantes e onde acreditavam estar longe da influência de Romun. Estão em uma taverna conversando quando duas pessoas suspeitas os abordam, perguntando se ele era “Adol, o Ruivo” e gostaria de uma aventura para conhecer o “fim do mundo”.
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Neste momento entram soldados de Romun, e ambos acabam por fugir juntos.
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O homem era capitão de um navio, ninguém menos que Ladoc – “The One Eyed” e a pessoa encapuzada sua filha Terra, que Adol havia conhecido nos arredores de Xandria. Ladoc é famoso por atacar navios de Romun nos 3 mares, logo, tem uma alta soma de dinheiro pela sua cabeça.
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Ladoc está atrás do mistério do “Vórtice de Canaan”, e era para isto que Terra convenceu ele a ir buscar Adol para então juntos irem explorar o local. Um dia após partirem fugindo, porém, o navio do grupo é surpreendido por uma frota de Romun e é atacado. Em um momento, ao ajudar Terra, Adol acaba salvando ela mas na sequência caindo no oceano e sendo sugado para dentro do Vórtice.
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Adol vai parar no litoral, dentro das ilhas de Canaan. É encontrado e salvo pelas irmãs Olha e Isha, do povo nativo Rehda, que tem como característica ter uma cauda e orelhas pontudas. A partir daí Adol descobre que muitas embarcações que acabaram naufragando perto do vórtice tiveram sobreviventes que vivem na ilha, sem ter como voltar. Aos poucos formaram um vilarejo chamado Porto Rimorge, longe do lar dos Rehda, que foi aumentando a população conforme mais embarcações naufragavam e tinham sobreviventes.
O enredo apresenta uma dualidade entre o povo nativo e o chegado do exterior das ilhas. Os Rehda primam em viver totalmente em harmonia com a natureza local e seus costumes, enquanto o povo do exterior, chamados por eles simplesmente de “Eresians”, tentam se adaptar a nova vida e ter algum conforto na ilha. Isto muitas vezes gera conflito entre os grupos, que embora mantenham contato, este é limitado.
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A jogabilidade tem a premissa de ser rápida e com foco em platforming (diferente do Ys V, por exemplo). O enredo e personagens tem um maior desenvolvimento do que em jogos anteriores, com foco na jogabilidade. Adol adquirirá ao longo do jogo 3 espadas que tem características elementais e mecânicas de ataque diferentes e podem ser fortificadas, devendo o uso de cada ser alternado conforme a preferência ou situação. Armaduras podem ser compradas ou encontradas nas ilhas, bem como diversos itens, de cura ou outros que serão essenciais na exploração das ilhas. O foco nas batalhas contra chefes volta, onde tem de ser aprendidos os padrões corretamente para vencê-los, já que o estoque de itens de cura é limitado, especialmente nas dificuldades mais altas, em que limita bastante o número de itens que é possível carregar (no Nightmare apenas 3). A versão PC tem também um modo opcional de jogo chamado “Catástrofe” que não permite uso de itens.
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As versões tem algumas diferenças, sendo que nada significativo quanto ao enredo.

O port no PSP não ficou bom, não sendo o jogo fluído que se joga no PC ou PS2, tendo texturas em uma resolução baixa (mesmo para a tela do PSP) e efeitos de som piores. Tirando isto é bastante similar a versão original, com adição de extras como galeria dos personagens e de áudios e vídeos, bem como um extra de quests com a Terra, que inclui passar por desafios dentro de um certo limite de tempo, enfatizando enfrentar inimigos e pulos precisos.

No PS2 Adol virou um modelo 3D, com diferentes equipamentos alterando seu visual, bem como tem excelentes quests extras chamadas de “Alma’s Trials”, com ênfase principalmente no “platforming”. O maior ponto negativo desta versão foi a substituição dos vídeos originais por CGs que além de inferior, descaracteriza a arte original. Porém podem ser restaurados os vídeos originais com código de cheat. Para terem uma ideia, segue comparação da arte original da Isha (esquerda) com a da CG feita pela Konami (direita).
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A versão PS2 conta com a dublagem (opcional) dos eventos principais do jogo (não com boas atuações na versão em inglês).

A versão PC é basicamente o jogo original, com suporte a resoluções “Widescreen”, e com a adição do modo “Catástrofe” que comentei anteriormente, além de ter sangue (de inimigos derrotados), removido nas versões PSP e PS2.

E qual jogar? Recomendação pessoal minha fica na versão PC, mas a versão para PS2 é boa também. Somente a versão do PSP que não recomendo para quem ainda não teve contato com o jogo. Seguem algumas imagens das diferentes versões, começando pela versão para PC.

Versão PS2
Versão para PS2

E por fim, imagens da versão para PSP.

Deixo também a trilha sonora do jogo, que pode ser ouvida no Spotify.


Ys – The Ark of Napishtim pode ser adquirido na Steam e Gog em versões digitais para PC.

Ys Seven

Ys 7
Ys Seven foi lançado pela Falcom em 2009 para PSP, recebendo localização em inglês no ano seguinte pela Xseed Games. Em 2017 recebe um port para PC lançado mundialmente pela Xseed novamente. É o primeiro jogo da série a usar o chamado “party system”, em que se controla um grupo de até 3 personagens alternadamente. Este sistema não contém elementos de “platforming”, e o foco fica no combate. Aqui temos também o primeiro jogo da série a ter um maior foco no desenvolvimento do enredo e personagens, que neste capítulo ficam mais significativos.

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O jogo se passa algum tempo após The Ark of Napishtim, iniciando-se com Adol e Dogi chegando na região do reino de Altago, no norte da Afroca (com o navio aportando em segurança, ufa!). Sua capital Altago é uma grande cidade comercial, uma das principais no mundo, e que anos atrás esteve envolta em uma grande guerra com Romun, tendo se saído vencedora, mas com muitas perdas de vidas. Chegando lá, após alguns contratempos, Adol e Dogi receberão um pedido do rei Kielmarl para investigar uma ruína recém descoberta, onde Adol acabará por receber o poder de um dragão, e embarcará em uma jornada para descobrir mais sobre os achados extintos dragões, que seriam o pilar do equilíbrio nas antigas crenças da região. Então, a busca pelos dragões inicia (the Dragon’s Quest begins). Vamos conhecer alguns dos personagens principais a seguir.

Adol, protagonista da série e temos agora também Dogi como um personagem jogável.

Aisha conhece o grupo na cidade de Altago, e forçadamente se junta a ele para uma expedição. Elk é o neto da líder do vilarejo de Shannoa, se junta ao grupo escondido para investigar um reduto onde haveria um Titano, que são alguns seres imensos que habitam a região, e um deles foi responsável pela morte de seus pais.

Mustafa é o líder do vilarejo de Segram, em uma área desértica de Altago. Ele cuida de sua irmã mais nova, Cruxie, que tem uma doença que anda se espalhando pelo reino chamada de “Febre de Iskan“. Mishera é a líder de Kylos, vilarejo no alto de uma região montanhosa de Altago. É cega mas tem um grande poder mágico e clarividência. Geis é um personagem que retornará a aparecer após os eventos do jogo anterior.

Estes são 3 NPCs importantes. Tia é uma herbalista que vive no subúrbio da cidade de Altago junto com Maya, uma menina muda que é órfã da guerra com Romun, e que Tia acabou por “adotar”. Elas vendem flores no centro da cidade. Scias é um comandante do exército do reino, chamado de “Dragon Knights“, e um dos heróis da guerra contra Romun.

A jogabilidade conforme falado antes é focada no combate. Cada personagem tem um tipo de ataque que é mais eficaz contra determinados tipos de monstros, logo o normal é ir alternando conforme a situação. Personagens com ataques do tipo “Piercing” (Aisha e Mishera) dão danos altos a inimigos voadores, tipo “slashing” (Adol, Elk) a inimigos sem constituição forte, enquanto o tipo “striking” (Dogi, Mustafa) é forte contra inimigos com armaduras ou constituição forte. Além dos estilos de ataque os personagens tem diferenças também na movimentação. Elk por exemplo tem o mesmo tipo de ataque do Adol, porém é mais fraco mas compensa por ser bem mais ágil. Os chefes tem destaque no jogo (e são muitos), normalmente com um HP alto e que exigem que o jogador aprenda os recursos de ataque (habilidades, ataque especial) e defensivos (esquiva e “flash guard“) para ter uma chance de sobreviver as normalmente longas batalhas. O “flash guard” é um recurso que bloqueia 100% do ataque quando o jogador usa no tempo correto, e que recomendo o foco em aprender, sendo que o jogo explica por cima apenas, sem dar muita importância. Especialmente nas dificuldades mais altas, como na Nightmare é essencial.
Habilidades podem ser aprendidas das armas adquiridas, evoluindo com o uso, sendo que após atingir o nível 1 podem ser usadas independente da arma selecionada. Basicamente este sistema de armas é bastante similar ao que vemos no jogo Xanadu Next, um dungeon crawler de ação lançado para PC pela Falcom em 2005.

Habilidades
Habilidades

Outro foco no jogo é pegar recursos da região (minérios, plantas, drops de monstros) que servem de ingredientes para criar novos itens ou para forjar melhores armas ou armaduras.

O jogo tem quests (20 no total) ao falar com certos personagens, algumas “missables” que tem de ser encontradas e feitas no tempo certo, senão se tornam indisponíveis.
Exploração da região é algo que os desenvolvedores primam no jogo. Não há setas indicando o caminho (há mapa e mini-mapa para ajudar), mas placas indicando para onde seguir.
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Seguem algumas imagens do jogo.

As diferenças das versões PSP e PC são mínimas, logo, o fator a decidir é basicamente a plataforma de maior conforto. No PC a única inclusão é ter uma gama de resoluções maiores a usar e o jogo ter opção de rodar a 60 FPS, além dos 30 FPS da versão original no PSP. E tem troféus na Steam e Gog.

Deixo aqui também a trilha sonora no Spotify.


Ys Seven pode ser adquirido a versão digital na PSN para PSP ou PS Vita, e na Steam ou Gog a versão PC.

Ys VIII: Lacrimosa of Dana

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Ys – Lacrimosa of Dana foi desenvolvido pela Falcom e lançado inicialmente em 2016 para PS Vita e com versões posteriores para PS4 em 2017, e PC e Nintendo Switch em 2018, todas estas localizadas pela NIS America (NISA). As versões posteriores a do PS Vita tem algumas melhorias e adição de conteúdo. É de longe o jogo mais longo da série, com uma partida podendo facilmente passar as 70 horas dependendo de quanto o jogador quiser completar. Não falarei muito deste jogo, afinal, o Shin já fez um ótimo vídeo sobre ele. Deixo abaixo o link para o post, com o vídeo e links de compras para as versões físicas.

Review / Tutorial de Ys VIII: Lacrimosa of Dana (ver Vita)

Deixo aqui também a trilha sonora no Spotify.


As versões digitais para PC podem ser adquirida na Steam ou Gog, o que inclui acesso a um beta na Steam que permite jogar o jogo em coop local, sendo que originalmente é single-player apenas.

Com isto temos aqui todos jogos lançados da série que foram localizados até o momento. O próximo post está aqui abaixo o link.
https://shin-reviews.com/2020/09/12/descobrindo-franquias-ys-parte-3/