Review / Tutorial de Maneater

Seres pré-históricos que sobreviveram até os dias atuais, tubarões são considerados os predadores perfeitos. 
Máquinas de matar, tubarões possuem instintos voltados totalmente para a caça. Precisam nadar constantemente, mesmo no nascimento, para não serem devorados pela própria mãe. Possuem um potente sonar, capaz de detectar presas a quilômetros de distância, bem como um poderoso “olfato”, de igual proporção na detecção de sangue na água.

Olá, eu sou o Musashi e na análise de hoje falaremos de Maneater, RPG de tubarões ou, como a própria produtora chama, shaRkPG.

* Esta análise foi feita com o código cedido pela Deep Silver (versão PS4)

Distribuidora: Deep Silver
Produtora: TripWire
Plataforma:  PlayStation 4 / Xbox One / PC (Switch ainda em 2020)
Mídia: Física e Digital
Ano de Lançamento: 2020

Uma Trama de Vingança

Você começa o jogo controlando um tubarão adulto, aprendendo os comandos básicos sobre caça e navegação, até ser capturado por Scaly Pete, experiente pescador/caçador dos mares.
Pete mata o tubarão e você descobre que era uma fêmea. Ele abre a barriga do animal e retira de dentro um bebê-tubarão, deixando uma cicatriz de faca próximo dos olhos e do focinho. 
O bebê reage e arranca a mão de Scaly Pete fora, sendo jogado pelo mesmo de volta ao mar.

Seu objetivo é sobreviver como filhote, comer para crescer e evoluir, até ter força para se vingar do assassino de sua mãe.

Scaly Pete, o vilão do jogo

Um Caçador Ágil


Fases na água costumam ser caóticas em jogos.
Experiências passadas com jogos aquáticos não foram das melhores, incluindo Jaws Unleashed, do PS2.

Essa foi uma dúvida ao ver o trailer de anúncio de Maneater: os controles vão responder bem? O gameplay vai ter variedade suficiente para manter jogadores entretidos?

A resposta é sim!
Um dos pontos principais onde os desenvolvedores acertaram foi justamente nos controles.
O deslocamento do tubarão é bastante intuitivo, é fácil navegar rapidamente, localizar as presas através do sonar, bem como coletáveis e pontos de interesse.
O combate, especialmente contra humanos, pode ficar confuso em alguns momentos, mas é questão de adaptação e posicionamento.

O que poderia ser o calcanhar de Aquiles do jogo é justamente um de seus pontos mais fortes.
É fácil ditar o ritmo da ação e bolar estratégias quando há muitos inimigos, bem como navegar por entre os canos e galerias subaquáticas (que são basicamente o HUB que conecta os mapas).

As cicatrizes deixadas por Scaly Pete

O Desbravador dos Mares


Como todo bom RPG que se preze, Maneater conta com sistema de quests e sidequests, “árvore” de habilidades, leveis de evolução do personagem e um “open world” explorável, mas calma, vamos por partes.

A primeira preocupação do jogador é se alimentar constantemente (no jogo, por favor, na vida real, vamos maneirar).
Diversos peixes e animais aquáticos estão disponíveis para consumo, bem como os humanos na superfície, além de caixas no fundo do mar.
Para crescer é necessário caçar constantemente e subir a “barra de idade”.
Você começa como um filhote e logo se torna um adolescente, o que demanda mais alimento.

Além da carne necessária para desenvolver tamanho e força do tubarão, cada presa fornece um dos três principais atributos: gordura, proteína e minerais. Além destes há também um componente extra, o mutagênico.
A quantidade de cada um dos componentes irá determinar as habilidades e mutações que o personagem ganha.

Algumas mutações geram aspectos bastante diferentes no personagem

Há slots para três órgãos extras, sendo o sonar o primeiro deles a ser habilitado.
Dinâmica comum nos jogos atuais, a famosa visão de predador faz mais sentido aqui: ativando o sonar, um pulso cruza a água, identificando e marcando presas (contornados pela cor do atributo que fornece), predadores em vermelho e pontos de interesse em verde (incluindo objetos não identificados e colecionáveis).
Cada órgão equipado pode receber upgrade, demandando cada vez mais componentes.

Além dos slots para órgãos extras, existem também upgrades/mutações nas partes já existentes.
Upgrades na mandíbula, saúde, nadadeiras e assim por diante.
Para dar um exemplo, ao me alimentar de diversos humanos, consegui o upgrade para mandíbulas elétricas, causando choque ao morder e atordoamento rápido da vítima.

Para modificar o tubarão, além de consumir o que é pedido, é necessário achar uma das grutas subaquáticas, que servem como “safe rooms“, convertendo-se em checkpoints.
O progresso das sidequests é sempre mantido, independente de visitar ou não a caverna.

As quests consistem em alvos específicos e na exploração de determinadas áreas.
Já as sidequests consistem em consumir alvos específicos em uma determinada quantidade ou eliminar um predador específico da região.

Há também os coletáveis: pontos de referência com descrições de locais/objetos humanos e placas customizadas de veículos (em tamanhos gigantes).

Toda a ação do jogo é narrada, simulando um apresentador de documentário.
Além de fatos reais (e aleatórios) sobre tubarões, o narrador descreve as ações do jogador, sempre recheadas de um humor ácido, perguntando o que será do programa numa tela de game over e coisas do gênero.

Manual do Assassino Novato


Explicando o básico dos controles (versão PS4):
L2 serve para um rápido e curto avanço; 
L1 é o golpe com a cauda;
R1 é o botão de esquiva (necessário durante os combates, podendo ser inclusive utilizado para esquivar no ar, durante os saltos fora d’água); 
R2 é o botão da mordida (segure-o para avançar com a boca aberta em direção à presa); 
R3, além de controlar a câmera, serve para chacoalhar a presa (o chamado Trash), caso seja efetiva a mordida à distância (segurando R2, como citado anteriormente); 
L3, além de controlar o movimento, pode ser pressionado marcar um alvo como principal;
X serve emergir e para saltar; 
Quadrado submerge o tubarão; 
Círculo ativa o sonar;
Triângulo ativa mutações.

O Predador Perfeito


De início apenas presas fáceis aparecem, mas logo você se depara com os primeiros predadores.
Peixes mais agressivos e alligators são os primeiros deles; avançando mais, irá se deparar com baleias assassinas e lulas gigantes.

Os humanos são de dois tipos: banhistas e pescadores funcionam como presas fáceis, mas há também os caçadores de tubarão, que usam arpões, armas e bombas, avançando rapidamente em grupos, sobre jet skis e barcos

Fi-Fo-Fu, sinto cheiro de humano!

Contra os animais marinhos, a combinação avanço rápido, golpe com a cauda e mordidas é eficiente; é necessário aprender a usar a esquiva nos momentos certos, contra-atacando com a cauda para atordoar o inimigo e deixá-lo suscetível à “mordida longa”; se tiver tamanho suficiente para tal, use a técnica Trash para causar mais dano.

Já contra os caçadores de tubarão, a coisa muda de figura.
Eles avançam em bandos, geralmente três pessoas em três jet skis ou barcos, munidos de arpões e às vezes bombas.
Quanto mais pessoas se come, maior vira a ameaça e mais caçadores avançam.
Os arpões possuem mira à laser e é necessário calcular o tempo do disparo para esquivar no momento certo.

Com um pouco de prática, é possível esquivar e contra-atacar no ar ou mesmo rebater as bombas de volta aos caçadores.
A energia perdida pelos ataques pode ser recuperada caçando-se rapidamente presas nas proximidades ou mesmo comendo os caçadores.
Dentre as estratégias, saltar sobre o jetski ou barco e arrastar um dos atacantes para a água, ou acertar vários com o rabo; também pode-se morder e acertar golpes de cauda no veículo, embora isso demore um bocado.

Há um ranking de caçadores especiais: eles surgem quando você mata uma grande onda de caçadores e sobe o nível da ameaça.

Os banhistas podem ser atacados não só na água ou em barcos e pedalinhos, mas também em terra, sendo ilhas ou mesmo cais, mas a sobrevivência fora da água é por curto período, existe uma barra de respiração que indica o quanto o tubarão pode permanecer em terra antes de sufocar.
Então, sempre que for para terra, lembre-se de saltar rapidamente e voltar para água o quanto antes.

Alligator, o primeiro grande desafio do jogo

A Arte Imita A Morte


Graficamente o jogo é bastante bonito e de boa performance.
Feito na Unreal Engine 4, os gráficos são bastante coloridos e com um visual puxado para o cartunesco nos humanos e mais real na vida marinha.

O fundo do oceano e dos pântanos é rico em vegetação e animais, mas também carros, plástico e muito lixo; o HUB do jogo se dá por largos túneis e galerias de esgoto que interligam as diversas águas. 

O fundo do mar é colorido e vivo, mas repleto de restos humanos

Já na terra, praias, cais e portos, além de pequenos mangues. Em alguns pontos é possível saltar de uma área para outra através da terra, sempre respeitando o tempo de respiração do tubarão.

A performance no PS4 “vanilla” (o modelo original) mostrou-se bastante competente, sem quedas de frame ou travamentos.
Alguns loadings, especialmente o primeiro ao entrar em cada sessão de jogo, é um pouco longo, mas novos loadings só aparecerão após um game over.

RESUMO DA ÓPERA:


Maneater surpreende ao apostar em um tema raro nos jogos, mesclando diversos elementos em uma combinação estranha, mas que funciona perfeitamente.

O shaRkPG provavelmente não se tornará um novo gênero (ou será que sim?), mas mostra como é possível inovar no RPG, saindo do lugar-comum “era medieval/futuro distópico/space opera”.
No fim de uma geração que cada vez mais aposta no óbvio, é bom ver um estúdio sem medo de arriscar em ideias diferentes fora do mercado indie.

PONTOS POSITIVOS:
– mecânica funcional na água
– caçar nunca foi tão viciante
– a narração em off alterna partes educativas com um humor ácido na medida certa
– sistema de upgrades e mutações direto e simples, sem partes desnecessárias

PONTOS NEGATIVOS:
– loading inicial longo
– jogadores mais tradicionais podem estranhar o título no primeiro momento (mas com certeza vale a experiência)
– pouca variedade nas sidequests

Diversão garantida!

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