Gothic: review e possível remake (disponível demo + impressões)

Recentemente a THQ Nordic lançou um teaser jogável para avaliar a possibilidade de um remake de Gothic. O teaser pode ser baixado por qualquer pessoa que tenha algum jogo comprado na Steam da Piranha Bytes. Disto, resolvi trazer um review do Gothic e umas breves impressões deste teaser. Primeiro, vamos ao review de Gothic.

Informações do Jogo

  • NOME: Gothic
  • PLATAFORMA: PC
  • DESENVOLVEDORA: Piranha Bytes
  • ANO DE LANÇAMENTO: 2001
  • GÊNERO: RPG de ação

Site (não oficial): https://www.worldofgothic.com/
Onde comprar: Gothic está disponível na GOG, e também na Steam através do Gothic Universe, que contém a trilogia desenvolvida pela Piranha Bytes.

Lançado em 2001 na Alemanha por uma empresa iniciante, Gothic surpreendeu pela originalidade e trouxe ao mundo a Piranha Bytes, que se tornaria uma desenvolvedora de RPGs de bastante qualidade. Gothic é um jogo que não puxa o jogador pela mão. Muito se fala em Dark Souls pela dificuldade, mas muito antes de Dark Souls, tínhamos jogos como Gothic, em que uma jornada levava a muitos reloads de saves. Não é todo mundo que tem paciência de jogar, em razão da dificuldade elevada.

Enredo

A história se passa no reino de Myrtana, onde uma guerra entre humanos e orcs ocorre. Para fabricar armas para a guerra, a lei é que qualquer crime, por mais insignificante que seja, deve levar o condenado para “A Colônia”, uma ilha prisional onde os prisioneiros trabalham nas minas de Khorinis para extrair os minérios necessários para fabricar as armas para a guerra. A Colônia foi criada por ordem do rei Rhobar II, que elegeu magos para criar uma barreira impenetrável em torno da ilha, onde só é possível entrar. Porém a barreira cresceu mais que deveria, e aprisionou também os magos na ilha. A partir daí, começou a se formar uma população na ilha, que formou inicialmente um vilarejo conhecido como o Velho Assentamento, formado por quem se confortou com a situação e resolveu viver uma vida dentro da ilha. Discidentes formaram o Novo Assentamento, e vivem dentro de uma caverna e nos arredores dela, e planejam explodir a barreira para se libertarem. Outro grupo discidente vive nos pântanos da Colônia, adorando uma entidade chamada de O Adormecido (The Sleeper), que é considerado por estes o salvador que acordará e os libertará da prisão.
Nesse universo entra o jogador, um desconhecido, condenado por um crime desconhecido. Antes de adentrar a Colônia, é pedido para entregar uma carta ao líder dos Magos do Fogo, um clã fundado por um dos magos que criaram a barreira.

Jogabilidade

O jogo se passa em um “mundo aberto”, onde o jogador é jogado na Colônia e tem de se virar para sobreviver. Para subir de status, deve se alinhar a um dos grupos locais, para o qual deve cumprir diversas missões para ganhar confiança dos líderes deste grupo.
Dinheiro é algo escasso, não é um jogo do estilo “enfrentrar inimigos, ganhar experiência e dinheiro” matando monstros. Caçar monstros e animais não dá dinheiro diretamente. Mas indiretamente, ao treinar com mestres, poderá aprender a retirar partes lucrativas de animais e monstros, como pele de um lobo por exemplo. Recuperar energia também não é uma tarefa trivial. Como dinheiro é escasso, não é fácil adquirir ervas e poções com comerciantes. Mas é possível comer carne de animais e monstros, onde cruas tem pouco efeito regenerativo, porém se cozidas tem efeito ampliado (para cozinhar o jogador terá de adquirir uma panela primeiro e achar um local com fogo).
Agora, o personagem é um herói que sai destroçando monstros ao apertar uma tecla? A resposta é o oposto, possivelmente até vencer o primeiro combate com o mais trivial dos monstros, o jogador terá de recarregar o jogo algumas vezes (salvar frequentemente é altamente recomendável). E inimigos diferentes podem exigir técnicas diferentes para enfrentá-los, sendo que enfrentar mais que 1 inimigo de uma vez, é morte certa na maioria dos casos. A complexidade do jogo é alta, bem como sobreviver nele.
Todas ações não são executadas simplesmente com um click do mouse ou o apertar de uma tecla. Para pegar um item qualquer, por exemplo, tem de segurar o botão esquerdo do mouse e apertar a tecla de andar para frente. Para comprar itens, tem de trocar o ouro do inventário para o comerciante e pegar o item desejado do inventário do comerciante para o do jogador. No combate, segurar o botão esquerdo do mouse e cada tecla de direção geram ações diferentes, onde para trás é usado se defender e as outras teclas são formas de ataque diferentes.
O jogador poderá se aliar a vários clãs, como os Magos do Fogo, à guarda do Velho Assentamento, aos Magos da Água, que vivem no Novo Assentamento, entre outros. Poderá também, dependendo das escolhas, focar em batalhas corpo-a-corpo, ou se tornar um mago, ou necromante. Uma boa fonte de experiência são as tarefas completadas, onde a cada nível, o jogador poderá aplicar pontos em status ou em treinamentos com mestres, para melhorar habilidades de luta ou aprender novas magias.

Ao contrário da maioria dos RPGs da época (estamos falando do início da década de 2000), oferecia liberdade de sair pelo mundo e andar, pular, subir montanhas, nadar (há locais submersos que só nadando para descobrir). O jogo oferece muita liberdade de explorar o mundo, muitas vezes aquela subida difícil em um morro resultando em descobrir… nada. Os desenvolvedores optaram por não colocar barreiras artificiais para barrar a exploração, e o resultado, na minha opinião foi ótimo. O jogo conta com um ciclo de dia e noite, onde os NPCs trabalham, comem dormem, “vivem” dentro da Colônia.

Gráficos e Áudio

Considerando 2001, o jogo tem gráficos aceitavelmente bons, alguns bons efeitos visuais, como ver a barreira iluminando o horizonte em uma noite. Não é graficamente o jogo mais bonito desta geração, mas tinha uma qualidade gráfica boa na sua época, mesmo sem se destacar neste quesito. Tem diversos locais que gostei bastante do design, como o assentamento do Pântano, e o templo dedicado ao Sleeper.
No áudio, não chega a grandiosidade da composição clássica de Gothic 3, mas tem boas músicas marcantes, e uma boa dublagem na versão em inglês, onde apesar de considerada inferior em relação a dublagem original alemã, está em um bom nível de qualidade.
Um destaque na parte do áudio é um show virtual da banda alemã de folk metal In Extremo, que toca Herr Mannelig em certo momento do jogo. Infelizmente na versão em inglês foi cortado, mas com o patch da comunidade, disponível aqui, foi restaurado.

Minha Opinião

Gothic se trata de um excelente RPG, que insere o jogador em um mundo brutal onde a sobrevivência não é fácil. Além disto conta com um enredo fora do trivial estilo medieval. Se destaca pela mistura de plataforma e RPG, onde foi um dos pioneiros no gênero ao dar tanta liberdade para explorar o mundo, cada canto do jogo pode ser visitado e descoberto, podendo conter algum tesouro ultra escondido ou simplesmente nada. Infelizmente o jogo tem alguns bugs consideráveis, como o de uma escada que é difícil de subir, e de um aliado que pode vir a atacar o jogador em certa ocasião. São bugs que não deveriam estar presentes, após todos patches que o jogo recebeu.
Para quem conhece a série Ultima, Gothic tem uma forte inspiração nesta, que basicamente é a série que deu origem aos RPGs (Akalabeth saiu em 1979, e Ultima 1 em 1981). Inclusive Richard Garriot, criador de Ultima, é citado nos créditos de Gothic pela inspiração do jogo na série. Se Ultima IX, em sua tentativa de ir para o mundo 3D não foi bem recebido pela crítica e jogadores em geral, Gothic veio para estes fãs da série.
Uma coisa que sempre gosto de citar também, é que o jogo foi feito por uma desenvolvedora pequena e nova no ramo, que criou a engine do zero durante aproximadamente 4 anos (a Piranha Bytes foi fundada em 1997) e vinda fora dos principais polos produtores de games, que são Japão e Estados Unidos. Nos anos 2000 isto era uma novidade, hoje nem tanto, já que temos diversas desenvolvedoras e mercado indie produzindo jogos em todo o mundo.

Gothic e sistemas modernos

O jogo roda no Windows 7. O único defeito é que deve ser alterada a linha “scaleVideos=1” para “scaleVideos=0” no arquivo GOTHIC.INI, presente no diretório system do jogo. Sem essa alteração, os vídeos só rodariam com o áudio, sem imagem.

Gothic Remake?


https://store.steampowered.com/app/950670/Gothic_Playable_Teaser/
O teaser conta com a área inicial do jogo para jogar, porém expandida e com diversas diferenças. Por exemplo, no jogo original o jogador é recepcionado sendo nocauteado por 2 pessoas da Colônia. Neste remake é explodido o meio de transporte do mundo externo para a entrada da Colônia e o jogador é atacado por monstros no início. Em ambos os casos, é salvo por Diego, que recepciona e tenta convencer o jogador a se juntar ao Velho Assentamento, do qual faz parte. Eu diria que a THQ Nordic está não considerando um remake fiel, mas algo mais para uma reimaginação do jogo original.
O sistema de combate foi modificado, o jogador tem agora instâncias de combate e parry + ataques variando a direção do golpe.
A dificuldade inicial me pareceu um pouco mais baixa, mas mesmo assim tendo um bom desafio. O parry em uma luta contra humanos tem de ser preciso e tem de considerar a instância que o inimigo está usando no golpe. Um parry correto dá abertura a um contra-ataque que será certeiro.
O jogo não permite nadar por enquanto, o que remove um pouco da atmosfera original, onde tu ia a qualquer local. Outra coisa é que a física para subir em certos locais ainda não está adequada, sendo que são locais que deveriam ser facilmente acessíveis. Mas estamos falando de um protótipo inicial, que é pedido feedback. Logo, talvez esteja propositalmente não implementado poder nadar, por exemplo.
No geral, achei interessante o teaser e a THQ Nordic lançar e pedir feedback aos jogadores, se está ou não no caminho correto. Por fim, umas imagens do teaser (retiradas da Steam). O teaser conta inclusive com 39 conquistas da Steam.